O bolsonarismo sofreu nesta terça-feira (9) uma dura, ainda que esperada, derrota com os primeiros votos pela condenação de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da trama golpista.
Durante o ano, aliados tentaram de tudo: discursos no Congresso, ocupação de mesas diretoras, acampamentos diante da corte, manifestações nas ruas e nas redes, além de rodas de oração. Nada, porém, foi capaz de alterar o rumo do julgamento, que caminha para impor ao ex-presidente uma pena de décadas de prisão.
O pessimismo entre aliados cresce desde a abertura do julgamento, na semana passada, e se consolidou ao longo desta terça. Pessoas próximas relatam que Bolsonaro está abatido e fragilizado psicologicamente. Familiares e auxiliares demonstram estresse e preocupação diante da possibilidade de prisão.
No 7 de Setembro, marcado por manifestações em várias capitais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chorou em público, assim como o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o pastor Silas Malafaia. Eles acusam o Supremo de perseguição e alegam que o ex-presidente sofre humilhação, já que cumpre prisão domiciliar. Bolsonaro, segundo a Folha revelou, planeja pedir que a eventual condenação seja cumprida em casa.
Reação política e mensagens de esperança
Nas redes, aliados tentaram transmitir mensagens de resistência. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) postou uma foto ao lado do pai com a legenda: “O jogo não acabou, está apenas começando”. Parlamentares como Sóstenes Cavalcante (RJ) e Gustavo Gayer (GO) reforçaram apoio, enquanto o PL divulgou vídeo exaltando Bolsonaro como “a voz de milhões” e questionando a imparcialidade do julgamento.
A expectativa dos parlamentares é que avance no Congresso o projeto de lei de anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, visto como única saída política para Bolsonaro. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) passou a atuar nas articulações com o centrão, aumentando a pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), para pautar a proposta já na próxima semana.
Aposta em desgaste de Moraes
Outra frente de aliados busca enfraquecer a narrativa do STF. Flávio Bolsonaro lidera ofensiva no Senado com base no depoimento de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes, que acusou o ministro de forjar relatórios em 2022 contra empresários bolsonaristas.
O senador anunciou que pedirá a suspensão e anulação do julgamento com base no mesmo precedente usado para derrubar condenações da Lava Jato contra Lula. A coletiva para anunciar a iniciativa, no entanto, contou com poucos parlamentares e ocorreu em uma semana esvaziada no Congresso, interpretada por bolsonaristas como falta de mobilização para defender o ex-presidente.
Resistência simbólica

Enquanto isso, pequenos grupos de apoiadores se reúnem diariamente em frente ao condomínio de Bolsonaro, no Jardim Botânico, para realizar rodas de oração às 20h. Flávio e Carlos Bolsonaro permanecem ao lado do pai, enquanto Eduardo Bolsonaro, proibido de ter contato com ele por decisão judicial, segue mobilizando apoiadores pelas redes e defendendo sanções contra ministros do Supremo.