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Política & Poder

Bia Kicis passa um mês sem definir relator e trava PEC do Pazuello na Câmara

O presidente da Câmara recebeu a PEC em 14 de julho e a despachou para Bia Kicis dois dias depois, durante o recesso parlamentar

Redação Jornal de Brasília

20/08/2021 17h22

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Camila Mattoso
FolhaPress

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) recebeu de Arthur Lira (PP-AL) em 21 de julho a chamada ‘PEC do Pazuello’, que barra a participação de militares da ativa em cargos da administração pública.

Desde então, ela não definiu o relator da proposta de emenda à Constituição, travando assim sua tramitação. O presidente da Câmara recebeu a PEC em 14 de julho e a despachou para Bia Kicis dois dias depois, durante o recesso parlamentar, em movimento que foi compreendido como sinalização de boa vontade do centrão com a proposta.

Perpétua Almeida (PCdoB-AC), autora da PEC, diz que tem conversado diariamente com Kicis, que, segundo ela, tem respondido que precisa decidir o relator com calma. “Não compreendo qual a dificuldade da presidente Bia de definir um relator, tendo em vista que a CCJ analisa apenas a constitucionalidade da proposta. O mérito mesmo será debatido na comissão especial. Essa demora da presidente da CCJ passa a ideia de que há uma ação deliberada de protelar a decisão”, diz Perpétua à coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

A presidente da CCJ afirma à coluna que “existem várias outras PECs aguardando para serem distribuídas” e que está “conversando com os vários interessados em relatar para decidir pela relatoria.” Perpétua tem defendido que Margarete Coelho (PP-PI), aliada de Lira e ex-vice-governadora do petista Wellington Dias (PI), seja a relatora.

A PEC acrescenta um dispositivo no artigo 37 da Constituição Federal, que trata da administração pública, e coloca condições para que o militar da ativa possa exercer cargos de natureza civil nos três níveis da federação. Segundo a proposta, se tiver menos de dez anos de serviço, o militar deverá se afastar da atividade. Os que estiverem acima disso na hierarquia militar passarão automaticamente, no ato da posse, para a inatividade.

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