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Política & Poder

Associação dos Magistrados: decisão sobre ‘penduricalhos’ traz ‘severa redução’ nos salários

Associação dos Magistrados Brasileiros aponta impacto imediato na remuneração após medida do Supremo Tribunal Federal que restringe “penduricalhos”

Redação Jornal de Brasília

26/03/2026 14h30

palácio do supremo tribunal federal na praça dos três poderes em brasília

Fachada STF. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou nota em que manifesta “profunda discordância e preocupação com o julgamento” realizado nesta quarta-feira, 25, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que limitou os “penduricalhos” na magistratura e no Ministério Público (MP) a 35% do teto do funcionalismo, equivalente ao salário de um ministro do STF (R$ 46,3 mil).

“A decisão impacta cerca de 18 mil magistrados e implica severa redução remuneratória imediata, com efeitos já a partir de abril de 2026, atingindo direitos reconhecidos ao longo de décadas por instâncias administrativas competentes e pelo próprio Conselho Nacional de Justiça, sempre com amparo legal”, diz a nota.

Para a AMB, a decisão “afeta a previsibilidade do regime jurídico da magistratura, impacta a atratividade da carreira e tende a produzir reflexos na organização e na eficiência da prestação jurisdicional”.

A entidade argumenta que a magistratura enfrenta defasagem nos salários e sobrecarga de trabalho diante do aumento da litigiosidade. Segundo relatório técnico entregue ao Supremo por uma comissão composta pelos Três Poderes, o teto do funcionalismo estaria em R$ 71.532,30 caso fosse corrigido pelo IPCA desde 2006, o que indica uma defasagem real de 54%.

O Supremo vetou uma série de rubricas que não estão previstas em lei, como licenças compensatórias de um dia de folga por três trabalhados, auxílios natalinos e indenização por acervo. A AMB alegou que os benefícios atingidos haviam sido reconhecidos de forma administrativa com base em precedentes dos Tribunais Superiores. Afirma, ainda, que a decisão pode produzir um efeito desigual entre magistrados de diferentes tribunais.

A AMB afirmou ainda ter mantido “intensa atuação” no Supremo nas semanas que antecederam o julgamento, com a apresentação de propostas alternativas. Segundo a entidade, contudo, essas sugestões não foram acolhidas em extensão suficiente para mitigar os impactos apontados.

Estadão Conteúdo

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