Carlos Petrocilo
Folhapress
Levantamento da Associação dos Pesquisadores Científicos (APqC) afirma que a Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, tem 123 pesquisadores em ação e outras 158 vagas não preenchidas. Os dados foram compilados a partir do Diário Oficial.
A gestão Tarcísio rebate o levantamento e diz que a pasta reúne 144 pesquisadores, com 166 cargos vagos.
Para Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC e pesquisadora do Instituto Florestal, o cenário é preocupante, principalmente com os níveis dos reservatórios de água menores em comparação com a crise hídrica de 2014.
Os servidores atuam em laboratórios de botânica e geologia, onde são realizadas pesquisas sobre clima, disponibilidade de água e produção de mapas de risco para enfrentamento às enchentes e aos deslizamentos de encostas.
O último concurso para pesquisadores, diz o governo, foi realizado há mais de 20 anos, em 2005.
“O descaso tem se agravado ao longo dos anos, fragilizando a pesquisa e expondo a sociedade a um apagão científico em plena emergência climática, incluindo a escassez hídrica provocada por períodos prolongados de estiagem e por mudança no regime de chuvas”, afirma Lutgens.
A gestão Tarcísio diz que reestruturou, em outubro de 2025, a carreira de pesquisador para torná-la mais atrativa e estuda a possibilidade de novos concursos.
“O objetivo é preencher 98 vagas em áreas prioritárias (biodiversidade, recursos hídricos, mudanças climáticas), com previsão de publicação do edital ainda em 2026”, afirma a pasta.
O governo também afirma que, além dos servidores, tem parcerias com instituições de outros estados e as universidades USP e UFSCar.