Isaac Marra,
Especial para o Jornal de Brasília
O depoimento do ex diretor-geral do DFTrans Marco Antônio Campanela à CPI do Transporte Público da Câmara Legislativa, ontem, deixou dúvidas que levaram o presidente do colegiado, deputado Bispo Renato Andrade (PR), à certeza de que existe algo muito errado no processo. “Ou ele está querendo encobrir alguém, ou está faltando com a verdade”, avalia o distrital.
O presidente da CPI, que apura irregularidades na licitação do sistema de transporte público no DF, considera que, no início do processo licitatório, o DFTrans foi protagonista da ação pois forneceu os dados para confeccionar o primeiro edital da licitação, rejeitado pela Procuradoria-Geral do DF por conter erros.
A partir daí, a coisa mudou de figura e o DFTrans sequer foi consultado sobre a conveniência de promover alterações no processo que, diz o Bispo Renato, estava repleto de erros de quilometragem rodada, de avaliação da tarifa técnica e da quantidade de passageiros transportados.
“O que o DFTrans preparou foi uma coisa e o licitado foi totalmente diferente daquilo que foi proposto anteriormente”, afirma o deputado do PR.
A avaliação é de que o DFTrans se omitiu quanto às alterações feitas no segundo edital, bastante diferente do modelo apresentado anteriormente pelo departamento. “Ele [Campanella] nunca questionava as ordens recebidas, o que não condiz com seu caráter, de pessoa incisiva. “Ou ele silenciou por motivos que ainda desconhecemos ou então não está falando tudo o que sabe.
Segundo Andrade, ao justificar que o DFTrans não participou do processo licitatório devido a uma “decisão de governo”, o ex-diretor não identificou o responsável por excluir o departamento do processo licitatório. Nem depois de ser indagado se a determinação partiu do ex-secretário José Walter Vasquez.
Foram outros
Já o ex diretor-geral do DFTrans afirma ter deixado claro em seu depoimento que o órgão não participou da elaboração dos editais de licitação, mas apenas forneceu os dados técnicos necessários à confecção do documento. Campanella disse que, durante o processo, houve divergências técnicas em relação ao modelo, especialmente em relação à frequência e número de veículos por linhas, além da extinção de alguns itinerários, mas que isso não teve influência no resultado da licitação.
O ex-diretor do DFTrans também garante desconhecer qualquer irregularidade na condução do processo licitatório. “Seria leviandade dizer que houve falta de lisura.”
Saiba mais
A CPI aprovou a convocação de Wagner Colombini Martins, sócio-diretor da empresa Logit Engenharia; de Guilherme de Salles Gonçalves, sócio do advogado Sacha Reck, que já depôs à CPI; e de Victor Bethonico Foresti, responsável pela empresa Viação Cidade Brasília, desqualificada na licitação feita em 2012.
Além do deputado Renato Andrade, que presidiu a sessão, participaram da reunião de ontem os distritais Raimundo Ribeiro (PSDB), relator da CPI, Rafael Prudente (PMDB), Sandra Faraj (SD) e Ricardo Vale (PT).