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Política & Poder

Após depoimento de Campanella, integrantes da CPI acreditam que há muita coisa a se esclarecer

Arquivo Geral

09/10/2015 6h30

Isaac Marra, 

Especial para o Jornal de Brasília

O depoimento do ex diretor-geral do DFTrans Marco Antônio Campanela à CPI do Transporte Público da Câmara Legislativa, ontem, deixou dúvidas que levaram o presidente do colegiado, deputado Bispo Renato Andrade (PR), à certeza de que existe algo muito errado no processo. “Ou ele está querendo encobrir alguém, ou está faltando com a verdade”, avalia o distrital. 

O presidente da CPI, que apura  irregularidades na licitação do sistema de transporte público no DF, considera que, no início do processo licitatório, o DFTrans foi protagonista da ação pois forneceu os dados para confeccionar o primeiro edital da licitação, rejeitado pela Procuradoria-Geral do DF por conter erros. 

A partir daí, a coisa mudou de figura e o DFTrans sequer foi consultado sobre a conveniência de promover alterações no processo que, diz o Bispo Renato, estava repleto de erros de quilometragem rodada, de avaliação da tarifa técnica e da quantidade de passageiros transportados. 

“O que o DFTrans preparou foi uma coisa e o  licitado foi totalmente diferente daquilo que foi proposto anteriormente”, afirma o deputado do PR. 

A avaliação é de que o DFTrans se omitiu quanto às alterações feitas no segundo edital, bastante diferente do modelo apresentado anteriormente pelo departamento. “Ele [Campanella] nunca questionava as ordens recebidas, o que não condiz com seu caráter, de pessoa incisiva. “Ou ele silenciou por motivos que ainda desconhecemos ou então não está falando tudo o que sabe. 

Segundo Andrade, ao justificar que o DFTrans não participou do processo licitatório devido a uma “decisão de governo”, o ex-diretor não identificou o responsável por excluir o departamento do processo licitatório. Nem depois de ser indagado se a determinação partiu do ex-secretário José Walter Vasquez. 

Foram outros

Já o ex diretor-geral do DFTrans afirma ter deixado claro em seu depoimento que o órgão não participou da elaboração dos editais de licitação, mas apenas forneceu os dados técnicos necessários à confecção do documento. Campanella disse que, durante o processo, houve divergências técnicas em relação ao modelo, especialmente em relação à frequência e número de veículos por linhas, além da extinção de alguns itinerários, mas que isso não teve influência no resultado da licitação.

O ex-diretor do DFTrans também garante desconhecer qualquer irregularidade na condução do processo licitatório. “Seria leviandade dizer que houve falta de lisura.”

Saiba mais

A CPI aprovou a convocação de  Wagner Colombini Martins, sócio-diretor da empresa Logit Engenharia; de Guilherme de Salles Gonçalves, sócio do advogado  Sacha Reck, que já depôs à CPI; e de  Victor Bethonico Foresti, responsável pela empresa Viação Cidade Brasília, desqualificada na licitação feita em 2012.  

Além do deputado  Renato Andrade, que presidiu a sessão, participaram da reunião de ontem os distritais Raimundo Ribeiro (PSDB), relator da CPI,  Rafael Prudente (PMDB),  Sandra Faraj (SD) e Ricardo Vale (PT).

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