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Política & Poder

Apenas três dos 24 distritais eleitos declaram oposição a Ibaneis

Arquivo Geral

17/12/2018 7h00

Atualizada 16/12/2018 21h56

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Apenas três deputados distritais eleitos levantaram a bandeira de oposição ao futuro governo de Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa. Até agora, dos 24 parlamentares eleitos nas urnas de outubro, somente Fábio Félix (PSOL), Arlete Sampaio (PT) e Chico Vigilante (PT) assumiram compromisso fazer o contraponto e fiscalizar cada passo do próximo governador.

“Temos muitas diferenças, tanto com o programa que Ibaneis apresentou na eleição, quanto na composição do próximo governo. Vamos combinar: o futuro governo hoje me parece um condomínio de partidos políticos. E ainda está distante da qualidade política e técnica que o Distrito Federal precisa”, afirma Fábio Félix.

O futuro parlamentar faz referência à série de nomeações feitas por Ibaneis de personagens envolvidos com escândalos e sem laços técnicos com os cargos. De volta ao cargo de deputada, Arlete Sampaio segue o posicionamento tomado pelo diretório regional do PT. “Não será uma oposição sistemática, cega. Mas também não vamos compor com o governo”, resume Arlete.

Reeleito, Vigilante promete cobrar energicamente cada compromisso assumido pelo próximo governador em campanha. “Eu disse, olhando nos olhos dele, que sou oposição. Não faço do mandato balcão de negócio para barganha. É melhor ter uma oposição séria real do que uma base geleia que só vota por interesse deles e não da comunidade”, dispara Chico.

Mesmo assim, a situação de Ibaneis não é confortável na Câmara. Mesmo contando com uma base ampla, com 13 nomes confirmados e três parlamentares perto de migrar para a situação. Afinal, hoje existem 18 partidos representados na Casa, dificultando a criação de alianças progamáticas ou na base da troca de cargos.

Pelas contas do cientista político da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, a “lua de mel” entre o governador eleito e a próxima Câmara durará 100 dias, ou menos. Para o especialista, a super fragmentação de partidos é um terreno tentador para o “tomá-lá-dá-cá”. Em troca de votos, aliados vão cobrar cargos e favores do governo.

Aliados também pretendem fazer suas cobranças para atender apoiadores

Aliados não pretendem dizer somente “amém” para Ibaneis. Especialmente aqueles ligados a categorias. Representante da Polícia Militar, Hermeto (PHS) baterá nas teclas da melhoria da segurança pública e do fortalecimento das administrações regionais.

“Neste domingo, enterrei um colega PM. Ele tirou a própria vida. O policial militar, em geral está mentalmente doente, envelhecido”, reclama. Defensor da volta do projeto Carreta da Mulher, Hermeto apoia a continuidade e a ampliação do polêmico modelo do Instituto Hospital de Base de Brasília. Propondo a expansão inclusive para o Hospital da PM.

Com raízes na saúde pública, Jorge Viana (Podemos) pretende defender o Sistema Único de Saúde (SUS) no DF. Por outro lado, Martins Machado (PRB) defenderá os valores tradicionais, cobrando ações na defesa da família tradicional, a área social, a geração de empregos e a saúde.

Além deles, fazem parte da base oficial: Agaciel Maia (PR), Cláudio Abrantes (PDT), Daniel Donizet (PRP), Fernando Fernandes (PROS), Iolando (PSC), João Cardoso (Avante), Rafael Prudente (MDB), Robério Negreiros (PSD), Rodrigo Delmasso (PRB), Valdelino Barcelos (PP).

Saiba Mais

A lista dos independentes é composta por Roosevelt Vilela (PSB), José Gomes (PSB), Leandro Grass (Rede), Júlia Lucy (Novo), Reginaldo Veras (PDT), Reginaldo Sardinha (Avante), Eduardo Pedrosa (PTC). Enquanto isso, Telma Rufino (PROS) ainda avalia qual posição irá adotar.

Em conversa reservada, fontes revelam que Sardinha, Eduardo Pedrosa e Telma Rufino deverão caminhar ao lado de Ibaneis. Sardinha seguirá as determinações do partido, o mesmo do vice- governador eleito Paco Britto. Pedrosa está negociando migrar para o Avante, afinal o PTC não atingiu quociente eleitoral. Por outro lado, Telma planeja continuar com o projeto de regularização fundiária. E para isso, precisa estar do lado do GDF.

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