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Política & Poder

Apagão no Buriti deixa DF à beira do colapso

Arquivo Geral

10/10/2016 7h17

Josemar Gonçalves

Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

“Brasília vive um apagão de gestão”. A frase, repetida à exaustão, na campanha do governador Rodrigo Rollemberg é cada vez mais condizente com a administração dele no DF. Em crise com o serviço público, os deputados da base e com a população, o chefe do Executivo tem protagonizado uma sequência de trapalhadas e agravado os problemas de saúde, educação e segurança pública no DF.

Rollemberg chegou a um ponto em que nem os deputados da base aliada acredita mais no governo dele. “Eu perdi a esperança de que o governo vá emplacar. Eu vou continuar defendendo o que eu acho bom para a cidade, mas eu acho que é cada vez mais remota uma chance de reeleição”, desabafa o deputado Reginaldo Veras (PDT). Falta traquejo ao governador, na opinião de Veras. “O governo é lento e pouco criativo”, sentencia.

Para o deputado pedetista, o governo erra, ao não falar a verdade para a população. “A capacidade de comunicação do governo com a sociedade é praticamente inexistente”, constata.

Ele diz que o caixa do DF “não tem dinheiro mesmo”, mas, a despeito disso, falta capacidade de gestão também. “O governador tinha que ter deixado muito claro, por exemplo, aos sindicalistas que as chances de pagar os reajustes para os servidores eram pequenas”, explica.

Gestão medíocre

O deputado oposicionista Wellington Luiz (PMDB) classifica a gestão como “medíocre”. E lembra que, pela primeira vez na história do DF, um governo não tem um líder na Câmara Legislativa, “porque não consegue convencer um dos deputados da base a defendê-lo”. Para ele, é uma demonstração clara da falta de credibilidade.

“Estamos à beira de um colapso administrativo”, observa o peemedebista, citando o caos da segurança pública, da saúde e da educação. “E o governo ainda enfrenta, agora, a possibilidade de uma greve geral, com 32 categorias”, diz, lembrando dos reajustes que Rollemberg prometeu pagar neste mês, mas, até agora, só tem dado sinais de que dará o calote nos servidores públicos.

“O que a gente pode apontar como satisfatório nesse governo? não tem!”, conclui Wellington. “Não me sinto feliz com isso não. Quem está indo para o buraco é o DF. O legado que esse governo vai deixar é de completa destruição”, aponta.

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Diante da crise do País, o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio, defende que o DF tem sobrevivido. “Poucos estados estão conseguindo pagar os salários em dia. Isso demonstra que não existe fracasso, do ponto de vista da gestão”, defende, ao lembrar que a situação encontrada pelo governador era pior do que se imaginava.

Renúncia ou pedido de impeachment

Que a população tem enfrentado um calvário para ter acesso aos serviços públicos de saúde, não é novidade. E em meio a todos os problemas enfrentados por quem precisa do Estado, um escândalo de desvios de dinheiro, protagonizado por deputados e servidores de confiança de governo. Na saúde, servidores e população sofrem com a “incompetência” do gestor, conforme a sindicalista Marli Rodrigues.

“Ele tem que sair o mais rápido possível. Uma saída honrosa seria a renúncia, ele dizendo que não dá conta. A outra é que, com tanta incompetência, ele vai levar as pessoas às ruas para pedir o impeachment”, aposta a presidente do Sindsaúde.

Na área de segurança, o cenário é de aumento da criminalidade e de insatisfação dos servidores. Presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Rodrigo Franco diz que o governador não assume a frente de várias questões. “Quem manda no governo é a área financeira, que trava tudo”, conta.

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