“É preciso dialogar com todas as partes envolvidas, e eu estou convencido de que a Síria tem um papel muito estabilizador”, disse Amorim, que chegou em Damasco no domingo e está no Oriente Médio desde sexta-feira.
O ministro falou que é possível encontrar “um futuro melhor” para a região e que al-Assad também acredita nisso.
Entretanto, Amorim reconheceu as dificuldades existentes para encontrar soluções, já que agora “os problemas são mais complicados do que antes”.
O chefe da diplomacia brasileira não escondeu o interesse do país – onde vivem cerca de dois milhões de pessoas de ascendência síria – pela “grave situação” do Oriente Médio e mostrou seu desejo de participar da resolução do conflito árabe-israelense.
Segundo Amorim, será possível dizer em Israel, um dos destinos de sua viagem oficial pelo Oriente Médio, que viu “uma boa predisposição da Síria para o diálogo”.
“Certamente, não é simples conseguir iniciar conversas sobre o assunto, porque um longo processo é necessário; tenho que escutar o que os israelenses têm a dizer”, disse o ministro, esclarecendo que não atua como mensageiro, mas que quer fazer o possível para ajudar.
Sempre em defesa do diálogo, Amorim criticou a exclusão do movimento islamita palestino Hamas das negociações para resolver os problemas entre Israel e os territórios palestinos.
Sobre o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e aos líderes do Hamas, o ministro afirmou achar “muito difícil isolar um grupo primordial no processo. Para conseguir uma paz duradoura, é preciso envolver todos os grupos”.
Além disso, destacou que a chave do processo é exatamente encontrar um modo de conseguir esta inclusão.
Quanto à crise política e institucional vivida no Líbano, sem presidente desde novembro, o chefe da diplomacia brasileira afirmou que a Síria “está fazendo o possível para encontrar uma solução”, e que o governo de Damasco ressalta a necessidade de que os libaneses sejam os responsáveis por seu próprio futuro.
Amorim, que considerou sua reunião com al-Assad “muito proveitosa”, disse que os dois também discutiram temas de política comum e que insistiu no convite feito pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva em 2003 para que o chefe de Estado sírio visite o Brasil.
Segundo o ministro, a visita poderia ocorrer em novembro deste ano, mas ressaltou que ainda não há nada confirmado.