O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) apresentou voto em separado hoje no Conselho de Ética do Senado pedindo o arquivamento do processo contra Renan Calheiros (PMDB-AL). No voto, ask o senador alega que não há provas suficientes para justificar a cassação do mandato de Renan, dosage que é acusado de ter tido contas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior.
“Nada nos autos afirma que efetivamente foi realizado qualquer pagamento pela Mendes Júnior seja ao representado, seja à senhora Mônica Veloso”, disse. “Para mim, o relacionamento de amizade de um senador da República com um funcionário de empreiteira não caracterizaria quebra de decoro”, acrescentou.
A denúncia acusa Renan de se valer do dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar pensão da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
“No nosso cotidiano, todos nós, senadores, nos deparamos com empresários e funcionários graduados de empresas. Alguns são nossos amigos. Outros, meros conhecidos. Outros, talvez, desafetos. Por ser amigo de alguém, da mesma forma que por conhecer alguém, ou detestar alguém, um senador não pode ser punido””, acrescentou.
Wellington Salgado ainda afirmou que o laudo pericial nos documentos apresentados por Renan não conclui que ele não teria recursos para pagar a pensão para Mônica Veloso. “Os senhores peritos não apresentaram qualquer resistência de Renan na apresentação dos documentos”, afirmou. “De 73 documentos apresentados, apenas foram considerados como não encontrados, quatro documentos. Não me parece que isso seja suficiente para desqualificar o documentário trazido aos autos”, comentou.
Sobre as Guias de Trânsito Animal (GTA) apresentadas por Renan Calheiros, Wellington Salgado disse que Marisa Serrano e Renato Casagrande cometeram um “equívoco de análise”. Segundo ele, as Guias são documentos emitidos pelo poder público para atestar a vacinação de animais e não guias de compra e venda de gado ou provas de pagamento de tributos.
“O parecer tenta demonstrar que, pela divergência entre elas (as guias) e as notas fiscais, o patrimônio do representado estaria mal explicado”, disse. Segundo o senador, as guias apresentadas “foram reconhecidas no laudo como materialmente autênticas e, portanto, delas nada se pode concluir em desfavor do representado”.
Na conclusão do voto, Wellington Salgado disse que o processo em votação “é incompatível com a influência das paixões, dos interesses político-partidários e mesmo dos sentimentos menores, tão presentes em nossa condição humana”.
Depois do voto em separado de Wellington Salgado, os 15 integrantes do Conselho de Ética vão votar o relatório dos senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) que recomenda a cassação de Renan Calheiros. A votação será aberta. Em seguida, o processo segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para análise dos preceitos constitucionais da representação.