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Política & Poder

Aliança entre Lula e Alckmin seria ‘piada de mau gosto’, diz petista

Natália também acredita que Alckmin faz parte de um grupo apontado por ela como “algozes do nosso povo”

Redação Jornal de Brasília

23/12/2021 11h08

Foto: Reprodução

A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) afirmou, nesta quarta-feira, 22, que uma aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin em 2022 seria “um equívoco”. Relembrando a relação entre a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Michel Temer, ela disse que o ex-tucano tem “características golpistas” e que tê-lo como vice em uma chapa no PT seria “uma piada de mau gosto depois do que nós passamos em 2016” – numa alusão ao impeachment da ex-presidente.

“A gente sabe que Alckmin não está saindo do PSDB porque rompeu com uma política neoliberal. Ele foi derrotado dentro do partido”, disse durante o programa Giro das 11 da TV 247.

Natália também acredita que Alckmin faz parte de um grupo apontado por ela como “algozes do nosso povo” e que a aliança não traria mais governabilidade. “Esse é um caso de que a junção na verdade vai significar uma subtração.”

A deputada considera que o palanque com o ex-tucano abre margem para o presidente Jair Bolsonaro (PT) “fazer um discurso antissistema”. “Então não acho que isso deixa mais fácil ganhar. Muito pelo contrário”, afirmou.

Pesquisa recente da Genial/Quaest apontou que um eventual palanque com Lula e Alckmin não é consenso entre potenciais eleitores do PT. Ainda que muitos apoiadores do ex-presidente fiquem mais propensos a votar no PT em 2022, uma parcela perde o interesse com a chegada do ex-tucano.

Caso Ratinho

A Associação Juízes para a Democracia (AJD) manifestou em nota publicada nesta quarta-feira, 22, repúdio à fala do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, que sugeriu “pegar uma metralhadora” contra a deputada federal Natália Bonavides após ela apresentar um projeto de lei que acaba com os termos “marido e mulher” em celebrações de casamento.

“As declarações de Ratinho foram uma reação violenta em face de projeto de lei apresentado pela deputada federal”, diz o comunicado. Na fala veiculada na quarta-feira passada, 15, na rádio Massa FM, o apresentador também disse para a apresentadora “lavar roupa, costurar a calça do seu marido, lavar a cueca dele”.

“A gente tinha que eliminar esses loucos. Nem dá pra, o quê, pegar uma metralhadora?”, perguntou Ratinho em seguida. A AJD prestou solidariedade a Natália Bonavides e classificou as falas do radialista como “machistas e arcaicas” e que “recusam à mulher seu lugar nos espaços públicos de poder”.

O texto da associação ainda diz que a manifestação “não se insere no campo do direito à liberdade de expressão”, e afirma que as declarações do apresentador “podem ensejar responsabilidades no campo cível, administrativo e até mesmo penal”.

Um dia seguinte à fala de Ratinho, as procuradoras Raquel Branquinho e Nathália Mariel Ferreira de Souza, coordenadoras do Grupo de Trabalho para Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero do MP Eleitoral, protocolaram um requerimento à Procuradoria Regional Eleitoral em Brasília sugerindo a abertura de investigação sobre os ataques à parlamentar. No texto apresentado, elas viram indícios de violência psicológica.

As declarações veiculadas na rádio geraram reações de parlamentares nas redes sociais. “Essa postura machista grotesca do Ratinho é inadmissível. A Câmara dos Deputados tem que se manifestar contra essa violência”, disse o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ).

Natália Bonavides afirmou ao Estadão que acionou a Procuradoria da Mulher na Câmara, órgão que representa judicialmente deputadas vítimas de violência e discriminação. “A declaração foi absurda e criminosa porque incitou violência contra mim. Isso vai ser apurado e investigado, disse a deputada. “Vamos tomar medidas também em relação à rádio, que é uma concessão pública, o que torna ainda mais grave o acontecido.”

A reportagem entrou em contato com a assessoria do apresentador Ratinho e da rádio Massa FM, mas não teve resposta até a publicação deste texto.

Estadão Conteúdo

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