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Política & Poder

Alcolumbre quer apoio de Lula para se manter no comando do Senado, e governo cobra avanço da 6×1

Alcolumbre ainda não verbalizou o desejo a Lula, mesmo em conversa com o presidente nesta quarta-feira (12)

Redação Jornal de Brasília

12/08/2026 23h44

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

CATIA SEABRA E AUGUSTO TENÓRIO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Em um ambiente ainda marcado por tensão entre Poderes, o governo Lula lançou uma ofensiva para convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a levar à votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6×1. O resultado dessa articulação pode pavimentar o apoio do PT à reeleição do amapaense na presidência da Casa.


Alcolumbre ainda não verbalizou o desejo a Lula, mesmo em conversa com o presidente nesta quarta-feira (12). Mas, segundo aliados, a reaproximação visa assegurar o apoio do PT à sua manutenção no comando do Senado em 2027. O governo também não trata do tema abertamente, mas entende que a reeleição do amapaense é de seu interesse. Interlocutores de ambos dizem que uma nova reunião pode ocorrer esta semana.

A cúpula bolsonarista quer eleger Tereza Cristina (PP-MS) para a presidência do Senado. Nesse sentido, o fim da 6×1 é a pauta que pode fazer retomar a parceria de Lula e Alcolumbre, rompida em abril com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).


Mesmo depois de dois encontros em um esforço de reconciliação, Lula e Alcolumbre não chegaram a um acordo sobre a proposta trabalhista no Senado. Segundo relatos, o presidente insiste para que Alcolumbre submeta o texto ao plenário antes das eleições. Mas o parlamentar resiste, argumentando que os pares não desejam votá-lo até lá.

Para pressionar Alcolumbre, aliados de Lula afirmam que ele pagará o preço político pelo travamento de pautas de interesse popular em pleno ano eleitoral. As outras prioridades de Lula são a PEC da Segurança, permitindo maior atuação do governo no combate à criminalidade, e o projeto que cria Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. As três iniciativas já foram aprovadas pela Câmara.


“É ruim o presidente Alcolumbre estar segurando essas pautas, porque fica sobre as suas responsabilidades, nas costas dele, né?”, afirmou o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), após um almoço com Lula.


Ex-ministro da Educação, Camilo afirma que a paralisação da pauta é prejudicial tanto para o país como para Alcolumbre.


A relação com o senador chegou a ser uma aposta do governo, no tom de pacificação no Congresso Nacional. Mas azedou depois de o presidente do Senado bater pé, pressionando pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o STF.


Alcolumbre atuou pela rejeição de Jorge Messias, o indicado do presidente. Ele foi derrotado no plenário do Senado em abril, o que foi encarado no Planalto como uma tentativa de usurpação do poder do presidente da República. Desde então, aliados dos dois trabalharam pela reconciliação.


Na semana passada, Lula e Alcolumbre jantaram. Segundo relatos, esse encontro não foi para retomar a parceria. Foi um primeiro passo, um momento para os dois apararem as arestas e voltarem, pelo menos, a conversar. Lula ainda estava muito ressentido.


Nesta quarta-feira, se reuniram para discussão da agenda do Congresso. Essa reunião foi testemunhada pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).


“A reunião foi muito positiva. Desde que assumimos, o presidente me deu a tarefa de destravar essas três pautas. Estou muito feliz em destravar a pauta. Nada está vetado, tudo pode ser debatido, e autonomia do Senado dirá como a Casa vai atuar”, afirmou Teresa Leitão à reportagem.


O ministro José Guimarães, após a reunião, disse que “Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula e com o nosso palanque lá no Amapá”.


Ainda segundo relatos, não houve compromisso do senador com a pauta nem de Lula pela reeleição de Alcolumbre no Senado. Lula deixou claro que Alcolumbre pode resolver tudo direto com a liderança do governo, mas que agora o contato está retomado.


A partir da retomada do diálogo, o governo passou a ponderar que Alcolumbre não tem mais justificativas para segurar o fim da escala 6×1. Agora, aliados de Lula vislumbram uma pequena chance de votação das prioridades antes do pleito.


O Palácio do Planalto planeja focar investimentos na aprovação do fim da escala 6×1, sustentando o discurso de que o recesso parlamentar acabou oficialmente e que há tempo hábil para a realização de reuniões de comissão.


A expectativa dos governistas é de que a proposta seja enviada ao menos para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nos próximos dias. Haverá pressão para que ela seja votada na primeira semana de setembro.


Embora Alcolumbre argumente que a resistência parte dos próprios senadores, a avaliação no governo é de que o passo mais difícil já foi dado com a realização da reunião de Lula com Alcolumbre. No encontro, ele indicou que nenhuma matéria está vetada para debate.


Para aumentar a pressão, centrais sindicais prometem intensificar a mobilização popular pela proposta. Lula reiterou a aliados sua intenção de transformar a jornada de trabalho em tema central de campanha. O PT avalia que a pauta constrange a direita, uma vez que o PL de Flávio Bolsonaro, seu adversário na eleição presidencial, foi contra o fim da escala 6×1.


A estratégia governista para destravar o texto passa por convencer Alcolumbre a “se livrar” logo da votação e da repercussão negativa de trancar essa pauta. A narrativa utilizada é de que manter a proposta represada desgasta a imagem da Casa como um todo.


Para convencimento, a base de Lula afirmará a Alcolumbre que uma alta taxa de renovação no Senado provocada pela impopularidade da paralisação de pautas sociais não interessa ao senador, pois poderia ameaçar sua própria recondução à presidência da Casa.


Por fim, os episódios envolvendo o STF e o nome de Jorge Messias ficaram de fora da pauta do encontro, sendo relegados para um segundo momento. Aliados de ambos os lados avaliam, contudo, que a resistência de Alcolumbre ao AGU já é hoje consideravelmente menor do que no início da crise.

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