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Política & Poder

Advogado de Vorcaro tentou salvar Banco Master com ajuda do governo Lula, indicam mensagens

Conversas atribuídas a Walfrido Warde e Daniel Vorcaro citam contatos com o presidente, ministros e assessores durante a crise da instituição financeira

Késia Alves

09/10/2026 7h54

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Foto: Reprodução

Mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o advogado Walfrido Warde articulou contatos com integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar encontrar uma saída para a crise do Banco Master. Os diálogos, divulgados pela Veja nesta sexta-feira (9), mencionam reuniões com autoridades, tratativas envolvendo o Banco Central e uma tentativa de viabilizar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).

Captura de tela de um aplicativo de mensagens, mostrando uma conversa com Walfrido Warde New. As mensagens incluem um texto encaminhado sobre um encontro, um emoji de mão apontando para cima, Bom dia, e várias mensagens sobre o presidente ligar para tratar de um caso e ajustar a data de um encontro. A última mensagem visível é Chamada de voz perdida em azul
Imagem obtida pela VEJA

Segundo a publicação, Warde mantinha contato com pessoas próximas ao presidente e teria usado essas relações para encaminhar demandas de interesse do banqueiro. As conversas também fazem referência a uma reunião entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, quando o Master enfrentava dificuldades.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirma estar com uma “chave” para garantir a reeleição do presidente. A reportagem não esclarece o significado exato da declaração, mas a relaciona à rede de contatos que o banqueiro acreditava ter construído junto ao governo.

Reuniões e articulações políticas

As conversas mostram que Warde procurou aproximar Vorcaro de figuras com influência política e econômica. No início de 2024, o advogado perguntou ao banqueiro se poderia organizar um encontro com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Vorcaro concordou, e Mantega foi contratado posteriormente como consultor do Banco Master por R$ 14 milhões, segundo a Veja.

A publicação também relata que o advogado mencionou contatos com o desembargador José Amílcar Machado, então presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Na ocasião, o banco tinha interesse em questões relacionadas ao pagamento de precatórios, e Warde teria afirmado que resolveria uma demanda apresentada pelo banqueiro.

Outro episódio citado ocorreu em dezembro de 2024, quando Lula recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto. Entre os presentes estavam Mantega, o então CEO do Master, Augusto Lima, e Gabriel Galípolo, que assumiria a presidência do Banco Central. Nas mensagens posteriores ao encontro, Warde afirmou que a reunião havia sido positiva.

A reportagem também aponta divergências entre as visitas registradas oficialmente no Planalto e as conversas em que o advogado relatava encontros com o presidente. Em uma mensagem de maio de 2024, Warde disse que acabara de sair da sala de Lula.

Captura de tela de um aplicativo de mensagens exibindo uma conversa entre Walfrido Warde New e DV. Walfrido envia mensagens sobre estar em Londres, ter saído da sala do presidente e uma pergunta sobre e-mail, seguida de Vc é doido. DV responde com Cara, Pode falar e um ponto de interrogação. Há uma notificação de Chamada de voz perdida e Walfrido envia Liguei
Imagem obtida pela VEJA

Pressão sobre o Banco Central

Em julho de 2025, quando Vorcaro tentava vender o Banco Master ao BRB, as conversas indicam que o banqueiro e seu advogado demonstravam insatisfação com a atuação do Banco Central. A operação dependia da autorização do órgão.

Após uma reunião com Galípolo, Vorcaro reclamou que o presidente do BC teria apresentado uma nova justificativa para não avançar com a negociação. Warde respondeu que o banqueiro deveria avisar Lula e afirmou que os dois deveriam partir para o enfrentamento.

Captura de tela de um aplicativo de mensagens com uma conversa entre Walfrido Warde New e Marco Aurélio Marcola, discutindo problemas e a necessidade de avisar o chefe
Imagem obtida pela VEJA

Em seguida, o advogado enviou mensagens a Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete da Presidência. Nos diálogos reproduzidos pela Veja, Warde criticou Galípolo e pediu que o recado fosse transmitido ao presidente. Em uma das mensagens, escreveu: “Nós vamos quebrar tudo”.

Segundo a reportagem, Marcola afirmou que levaria o conteúdo a Lula. No dia seguinte, Warde informou a Vorcaro que o presidente havia conversado por telefone com Mantega e que pretendia chamar o ex-ministro após seu retorno de Londres.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025. Vorcaro foi preso, e Warde deixou a equipe de defesa do banqueiro no início de 2026, quando o ex-cliente passou a tentar negociar um acordo de delação, conforme a publicação.

Outros nomes citados

As mensagens também mencionam o economista Luiz Gonzaga Belluzzo e o ministro Guilherme Boulos, atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência. De acordo com a Veja, Warde afirmou ter convencido Boulos a apresentar uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para limitar o pagamento de emendas parlamentares.

Captura de tela de um aplicativo de mensagens, exibindo uma conversa com Walfrido Warde New. As mensagens incluem Boulos peticionou no supremo, Pedindo a cabeça do homem, Belluzzo topou, emojis de mão apontando para cima, Chamada de voz perdida, Me liga, Boa notícia, e Preciso dar ok nisso. Posso?. As datas e horários das mensagens são 10/12/2024, entre 11:37 e 17:39
Imagem obtida pela VEJA

No caso de Belluzzo, a reportagem cita um comprovante de depósito de R$ 250 mil encontrado no celular de Vorcaro. O economista confirmou ter recebido dinheiro de Warde, mas negou que o pagamento estivesse relacionado à ação judicial que apresentou em favor de interesses ligados ao Master.

A Veja informou que Warde não quis se manifestar sobre o conteúdo da reportagem. As mensagens reproduzidas pela publicação indicam as articulações relatadas pelo advogado e pelo banqueiro, mas não comprovam, por si só, que as autoridades citadas tenham atuado de forma irregular ou que Lula tenha interferido diretamente nas decisões do Banco Central.

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