São Paulo, 02 – O horário eleitoral gratuito chegou ao fim nesta quinta-feira, 1º de outubro, sem ter alcançado boa parte do eleitorado. Segundo pesquisa Travessia feita com exclusividade para o Estadão, 59,6% dos brasileiros nunca assistiram ao programa, enquanto 22,9% acompanharam poucas vezes e apenas 14,3% afirmam ter visto sempre.
Entre as regiões do País, a Centro-Oeste registra o maior porcentual de eleitores que nunca ligaram a TV para assistir à propaganda política: 64,1%. No Sudeste, o índice é o menor, de 57,1%.
“Os hábitos mudaram, e muita gente não assiste mais ao horário eleitoral gratuito. A TV foi muito substituída pelas redes, mas a própria dinâmica da vida a esvaziou. As pessoas vivem de maneira diferente dos anos 1980 e 1990, quando as famílias jantavam e depois se sentavam em torno da TV. Isso acabou. O entretenimento e a rotina são diferentes. A TV é mais um item, principalmente um meio de assistir a streamings e jogar videogame”, diz Renato Dorgan, cientista político e CEO do Travessia.
Segundo ele, as campanhas aguardavam ansiosas pelo início do horário eleitoral gratuito, principalmente porque era uma forma de aumentar rapidamente o conhecimento dos candidatos. Hoje, porém, ter mais tempo de televisão já não garante essa exposição
Dorgan cita como exemplo o governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), que tem o maior tempo de TV no horário eleitoral e, ainda assim, 51% dos eleitores não o conhecem, segundo pesquisa Quaest divulgada em 29 de setembro.
“Em eleições do passado, Mateus Simões já estaria competitivo pelas alianças que proporcionavam tempo de TV. (Ronaldo) Caiado, (Augusto) Cury, Renan (Santos) e (Romeu) Zema sofreram com isso o ano inteiro. O País é muito grande, e a TV aberta chegava em todo lugar. Hoje, as redes são rápidas, breves e instantâneas e não criam vínculos fortes com um canal”, afirma o especialista.
De acordo com Dorgan, a linguagem da TV é diferente da linguagem das redes sociais, assim como o impacto sobre o eleitor. Na televisão, diz ele, as campanhas de desconstrução tinham mais força.
“A fake news sobre Nossa Senhora Aparecida, a notícia sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e o Banco Master ou o caso Lulinha já teriam criado, em tempos passados, um estrago real nas campanhas dos dois principais candidatos. E o mesmo vale para a campanha de construção também. O reajuste do Bolsa Família, a disponibilização de canetas emagrecedoras no SUS e o fim das bets poderiam forçar uma migração maciça de indecisos na era da TV forte.”
A pesquisa fez 1 mil entrevistas telefônicas com eleitores de todo o País entre os dias 23 e 25 de setembro. A margem de erro é de 3,1 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Estadão Conteúdo