Um salário de mais de R$ 90 mil mensais – entre ganhos diretos e indiretos – faz com que a disputa por uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal tenha uma concorrência maior que o vestibular da Universidade de Brasília (UnB). São 32 candidatos concorrendo a cada uma das 24 cadeiras do Legislativo nas eleições deste ano, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF).
O problema é saber quem disputa uma vaga por convicção política e quem a deseja por oportunismo e busca de benesses. “Ideologia fica em segundo, terceiro, quarto plano. As pessoas se candidatam ao cargo justamente pela possibilidade de aumentar a renda rapidamente”, ressaltou o cientista político e professor da UnB, David Fleischer.
Mas calouros de candidatura, como o professor Roque Manoel dos Santos (PSDB), garantem que existe, sim, ideologia e compromisso com a sociedade. Conforme disse, o escândalo que abreviou o governo de José Roberto Arruda foi uma das motivações para concorrer à vaga.
“Tudo que eu faço é projetado. Desde 2001 eu queria ser deputado, mas estava esperando a hora certa. Depois dos acontecimentos do ano passado, me senti no dever de tentar mudar a realidade. Chegou a hora de mudanças”, disse Roque.
Ideologia
Assim como Roque, o biólogo Raul Dusi, também do PSDB, está tentando ocupar uma das 24 vagas da Câmara Legislativa pela primeira vez. E assegura que a ideologia é o único motivo pelo qual entrou na disputa. “Moro em Brasília desde que nasci e não suporto ver o rumo que a política local está tomando. Quero melhorar as coisas”, declara.
Dusi ainda citou o esquema de propina que ocorreu recentemente o GDF como um dos empurrões para a vida política. “Fiquei muito triste com tudo o que aconteceu. Pretendo reverter esse quadro”, promete o candidato.
Essas declarações sobre lutar pelo bem público no Poder Legislativo não altera outra realidade: a quantidade de milionários que já atuam na Câmara Legislativa.
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