Por Renata Bueno*
Setembro é um mês que carrega uma missão urgente e necessária: a conscientização sobre a prevenção ao suicídio. O Setembro Amarelo, uma das campanhas mais relevantes do calendário mundial, ilumina um tema que, por muito tempo, foi envolto em silêncio e tabu. Como ex-parlamentar italiana e advogada internacional, sempre defendi a importância de políticas públicas e ações sociais que promovam a saúde mental e a valorização da vida. Este movimento, que ganha força a cada ano, é um convite à reflexão e à ação para enfrentar um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade.
O suicídio não discrimina. Ele afeta pessoas de todas as idades, gêneros, classes sociais e culturas, deixando marcas profundas em famílias e comunidades. No Brasil e no mundo, os números são alarmantes: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, e os casos continuam a crescer. Esse cenário reforça a necessidade de iniciativas como o Setembro Amarelo, que se consolidou como a maior campanha antiestigma da atualidade, promovendo diálogo aberto e desmistificando preconceitos.
O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro, é o ponto alto da campanha, mas sua mensagem deve ecoar durante todo o ano. A conscientização é a base para a mudança. Falar sobre suicídio não é incentivar, mas prevenir. É oferecer espaço para que pessoas em sofrimento encontrem apoio, seja por meio de uma conversa acolhedora, da escuta atenta ou da divulgação de recursos como o Centro de Valorização da Vida (CVV) no Brasil, que oferece suporte gratuito pelo número 188.
Pude testemunhar o impacto de políticas públicas bem estruturadas em diferentes países atuando como advogada internacional. Na Itália, por exemplo, programas de saúde mental integrados ao sistema público têm mostrado resultados positivos. No entanto, a prevenção ao suicídio exige mais do que políticas: demanda uma responsabilidade coletiva. Cada gesto conta. Um simples “como você está?” pode abrir portas para o diálogo. Uma atitude empática pode ser a diferença entre a vida e a morte.
O Setembro Amarelo nos lembra que prevenir o suicídio é um compromisso de todos. Governos, organizações, comunidades e indivíduos têm papéis complementares na construção de uma sociedade mais acolhedora e resiliente. Devemos investir em educação emocional, fortalecer redes de apoio e garantir acesso a serviços de saúde mental. Acima de tudo, precisamos normalizar a busca por ajuda, mostrando que pedir apoio é um ato de coragem, não de fraqueza.
Que o Setembro Amarelo seja mais do que uma campanha sazonal. Que ele inspire ações contínuas, rompa barreiras e reacenda a esperança. Juntos, podemos transformar o silêncio em diálogo, o isolamento em acolhimento e a dor em novas possibilidades. A vida vale a pena, e cada um de nós pode fazer a diferença.
