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Opinião

Sanremo 2026: cinco noites em que a Itália e o mundo param para cantar

Entre 24 e 28 de fevereiro, o icônico Teatro Ariston, na charmosa Sanremo, na Ligúria, volta a ser o epicentro da música italiana

Redação Jornal de Brasília

19/02/2026 11h50

italy san remo music festival

Foto de Marco Ravagli / AFP

Por Renata Bueno, ex-parlamentar italiana, advogada e empreendedora

Há eventos que passam. E há aqueles que atravessam gerações, moldam identidades e se reinventam sem perder a alma. O Festival di Sanremo pertence à segunda categoria. Em 2026, ele reafirma por que continua sendo muito mais do que um festival: é um fenômeno cultural capaz de parar a Itália e mobilizar milhões ao redor do mundo por cinco noites históricas.

Entre 24 e 28 de fevereiro, o icônico Teatro Ariston, na charmosa Sanremo, na Ligúria, volta a ser o epicentro da música italiana. É dali que nascem tendências, debates, emoções coletivas e canções destinadas à eternidade.

A 76ª edição chega cercada de expectativa. No comando, o carisma de Carlo Conti como diretor artístico e apresentador principal, ao lado da estrela global Laura Pausini, coapresentadora em todas as noites. O simbolismo é poderoso: Pausini iniciou sua trajetória no próprio festival, em 1993, e hoje representa a música italiana nos cinco continentes.

A cada noite, convidados especiais ampliam o espetáculo, entre eles Can Yaman, Achille Lauro e Lillo Petrolo. Mas o verdadeiro protagonista é o palco, onde 30 artistas da categoria principal e novos talentos disputam não apenas um prêmio, mas um lugar na história.

Sanremo nasceu em 1951, no elegante Casino di Sanremo, quando a Itália ainda se reconstruía no pós-guerra. O objetivo era impulsionar o turismo e valorizar a canção italiana. O que começou como uma iniciativa local tornou-se um dos maiores eventos musicais da Europa e um termômetro cultural do país.

Foi ali que o mundo descobriu “Nel blu dipinto di blu”, de Domenico Modugno, o imortal “Volare”. Foi ali que surgiram vozes como Mia Martini, Lucio Dalla e Eros Ramazzotti. E foi também ali que nomes como Andrea Bocelli, Giorgia e Tiziano Ferro deram os primeiros passos rumo à consagração internacional.

Mais do que música, Sanremo dita moda, inspira debates sociais e frequentemente define quem representará a Itália no Eurovision Song Contest. É entretenimento, identidade e diplomacia cultural em um único palco.

Em 2026, o festival acontece excepcionalmente no fim de fevereiro para não coincidir com os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, sediados em Milão e Cortina d’Ampezzo. A mudança de calendário só aumentou a expectativa como se a Itália estivesse guardando fôlego para cantar ainda mais alto.

Em tempos de consumo rápido e playlists efêmeras, Sanremo resiste porque cria experiência coletiva. Avós e netos compartilham o sofá. Redes sociais fervilham. A imprensa debate figurinos e letras. E, por cinco noites, a música volta a ser vivida, não apenas ouvida.

Para nós, ítalo-brasileiros, o festival tem um significado especial. Ele é ponte entre continentes, memória afetiva, língua que atravessa gerações. Muitas famílias no Brasil cresceram embaladas por canções que nasceram naquele palco, mantendo viva uma herança cultural que não conhece fronteiras.

De 24 a 28 de fevereiro, acompanhe o festival pela RAI ou via streaming internacional. Prepare-se para se emocionar, discutir, cantar e talvez descobrir a próxima canção que marcará uma vida inteira.

Porque Sanremo não é apenas um festival.
É a trilha sonora da Itália e, por cinco noites, do mundo.

Renata Bueno é uma parlamentar ítalo-brasileira nascida em 1979 em Brasília, DF, Brasil. Conhecida por seu envolvimento na política e na defesa dos direitos dos descendentes de italianos no Brasil. Renata Bueno foi eleita deputada federal em 2010, sendo a primeira mulher eleita pelo Partido Socialista Italiano (PSI) fora da Itália. Sua atuação política tem sido focada em temas relacionados à cidadania italiana, imigração, e fortalecimento dos laços entre Brasil e Itália. Ela é presidente da Associação pela Cidadania Italiana no Brasil e tem trabalhado para facilitar o processo de reconhecimento da cidadania italiana para descendentes de italianos no país. Além de parlamentar, Renata é advogada e empresária, com o Instituto Cidadania Italiana e Mozzarellart.

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