Por Zé Américo Silva*
O Brasil de 2026 ainda não escolheu seu próximo presidente — mas já começou a escolher o estilo que quer ver no poder.
De um lado, Lula corre. Literalmente. Aos 80 anos, o presidente transforma a própria imagem em argumento político. Vídeos na academia, caminhadas aceleradas em eventos, gestos ensaiados para transmitir vigor. Mais do que governar, Lula parece empenhado em responder a uma pergunta silenciosa do eleitor: “ele aguenta?”. E responde com o corpo.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro salta. Sua estratégia é movimento, energia, presença constante. Em eventos, especialmente com jovens, encena dinamismo e tenta consolidar-se como herdeiro de um campo político que permanece mobilizado. Não é apenas discurso — é performance. Flávio quer parecer novo, mesmo carregando um sobrenome que representa continuidade.
E então há Ronaldo Caiado. Que não corre. Não salta. Trabalha a imagem de quem entrega.
Enquanto seus adversários disputam percepção, Caiado disputa credibilidade. Sua entrada no jogo se dá pelo contraste: menos espetáculo, mais currículo. Menos gesto, mais histórico. É uma aposta clara — ocupar o espaço de uma direita que quer vencer, mas sem repetir os excessos da polarização.
Os números da pesquisa Meio/Ideia ajudam a organizar esse cenário. Lula lidera o primeiro turno com 40,4%, seguido de perto por Flávio Bolsonaro, com 37%. Não há folga. Há disputa.
No segundo turno, o dado é ainda mais revelador: Flávio aparece com 45,8% contra 45,5% de Lula — um empate técnico com leve vantagem do candidato da direita. O país segue dividido ao meio, como já esteve antes, mas agora com novos protagonistas.
Caiado, por sua vez, ainda aparece com 6,5% no primeiro turno. Um número modesto — mas politicamente relevante. Porque cresce. E cresce justamente no espaço onde há maior volatilidade.
E aqui está o dado mais importante da eleição até agora: mais da metade dos eleitores (51,4%) ainda pode mudar de voto.
Isso muda tudo.
Significa que Lula lidera, mas não consolida. Flávio cresce, mas ainda precisa provar que amplia. E Caiado aposta em algo raro na política recente: convencer, em vez de mobilizar.
Há, portanto, três campanhas em curso.
A de Lula, baseada na resistência — política e física.
A de Flávio, baseada na energia — ideológica e estética.
E a de Caiado, baseada na previsibilidade — administrativa e pragmática.
No fundo, o eleitor brasileiro está diante de uma escolha menos ideológica do que parece. Não se trata apenas de esquerda contra direita. Trata-se de estilo de liderança.
Quer um presidente que prove que ainda tem fôlego?
Um que encarne a continuidade de um projeto político já conhecido?
Ou um que ofereça a promessa de gestão sem espetáculo?
O problema — ou a oportunidade — é que o Brasil ainda não decidiu.
E, até decidir, vai assistir.
Um que corre, outro que salta e quem propõe entrega.
*Zé Américo Silva é jornalista e consultor de marketing político