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Opinião

Quem corre, quem salta e quem entrega

A disputa de 2026 revela três estilos — e um eleitor ainda indeciso

Redação Jornal de Brasília

10/04/2026 13h57

Foto: Agência Brasil

Por Zé Américo Silva*

O Brasil de 2026 ainda não escolheu seu próximo presidente — mas já começou a escolher o estilo que quer ver no poder.

De um lado, Lula corre. Literalmente. Aos 80 anos, o presidente transforma a própria imagem em argumento político. Vídeos na academia, caminhadas aceleradas em eventos, gestos ensaiados para transmitir vigor. Mais do que governar, Lula parece empenhado em responder a uma pergunta silenciosa do eleitor: “ele aguenta?”. E responde com o corpo.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro salta. Sua estratégia é movimento, energia, presença constante. Em eventos, especialmente com jovens, encena dinamismo e tenta consolidar-se como herdeiro de um campo político que permanece mobilizado. Não é apenas discurso — é performance. Flávio quer parecer novo, mesmo carregando um sobrenome que representa continuidade.

E então há Ronaldo Caiado. Que não corre. Não salta. Trabalha a imagem de quem entrega.

Enquanto seus adversários disputam percepção, Caiado disputa credibilidade. Sua entrada no jogo se dá pelo contraste: menos espetáculo, mais currículo. Menos gesto, mais histórico. É uma aposta clara — ocupar o espaço de uma direita que quer vencer, mas sem repetir os excessos da polarização.

Os números da pesquisa Meio/Ideia ajudam a organizar esse cenário. Lula lidera o primeiro turno com 40,4%, seguido de perto por Flávio Bolsonaro, com 37%.  Não há folga. Há disputa.

No segundo turno, o dado é ainda mais revelador: Flávio aparece com 45,8% contra 45,5% de Lula — um empate técnico com leve vantagem do candidato da direita.  O país segue dividido ao meio, como já esteve antes, mas agora com novos protagonistas.

Caiado, por sua vez, ainda aparece com 6,5% no primeiro turno.  Um número modesto — mas politicamente relevante. Porque cresce. E cresce justamente no espaço onde há maior volatilidade.

E aqui está o dado mais importante da eleição até agora: mais da metade dos eleitores (51,4%) ainda pode mudar de voto.

Isso muda tudo.

Significa que Lula lidera, mas não consolida. Flávio cresce, mas ainda precisa provar que amplia. E Caiado aposta em algo raro na política recente: convencer, em vez de mobilizar.

Há, portanto, três campanhas em curso.

A de Lula, baseada na resistência — política e física.

A de Flávio, baseada na energia — ideológica e estética.

E a de Caiado, baseada na previsibilidade — administrativa e pragmática.

No fundo, o eleitor brasileiro está diante de uma escolha menos ideológica do que parece. Não se trata apenas de esquerda contra direita. Trata-se de estilo de liderança.

Quer um presidente que prove que ainda tem fôlego?

Um que encarne a continuidade de um projeto político já conhecido?

Ou um que ofereça a promessa de gestão sem espetáculo?

O problema — ou a oportunidade — é que o Brasil ainda não decidiu.

E, até decidir, vai assistir.

Um que corre, outro que salta e quem propõe entrega.

*Zé Américo Silva é jornalista e consultor de marketing político

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