Por: Rodrigo Gaspar
co-CEO do Sistema B Brasil
O mundo vive um momento decisivo. A COP 30, sediada no Brasil, foi o marco simbólico de uma virada necessária a passagem do discurso para a implementação real de soluções. E, nesse cenário, o país teve a chance de se tornar um laboratório vivo da nova economia regenerativa, em que o crescimento não se mede apenas pelo lucro, mas pelo impacto positivo que gera no meio ambiente e na sociedade.
As empresas têm sido protagonistas pouco percebidas dessa transformação. Nos últimos anos, vimos surgir um movimento que vai além da “sustentabilidade corporativa”. Negócios estão redesenhando estratégias para regenerar ecossistemas, fortalecer comunidades e reduzir desigualdades estruturais. Esse avanço vem acompanhado de uma reconfiguração: o consumidor, cada vez mais informado, passou a exigir coerência entre propósito e prática e a recompensar marcas que entregam valor compartilhado. Uma mudança de ponteiro na hora da compra.
No Brasil, esse processo ganha contornos únicos. Nossa biodiversidade, matriz energética, referência para o mundo, e capital humano criativo formam um terreno fértil para modelos econômicos que conciliam competitividade com regeneração. Setores como agronegócio, moda e energia começam a incorporar práticas regenerativas em seus modelos produtivos, da restauração de biomas à rastreabilidade completa de cadeias.
Mas o desafio é ir além das ilhas de excelência. Precisamos de políticas públicas que incentivem a inovação, de sistemas financeiros que reconheçam o valor do impacto positivo e de métricas que integrem externalidades sociais e ambientais ao resultado econômico. A boa notícia é que o Brasil pode liderar essa agenda global. Não apenas como anfitrião, mas como exemplo vivo de como regenerar pode ser sinônimo de prosperar.
A transição para uma economia regenerativa é a condição de sobrevivência dos negócios e da vida em sociedade. O futuro não será sustentável se não for regenerativo. E o Brasil tem a oportunidade histórica de mostrar ao mundo que desenvolvimento e regeneração podem e devem caminhar juntos.