Por Renata Bueno*
Após mais de duas décadas de negociações, a Comissão Europeia validou o texto final do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, que agora segue para aprovação dos Estados-membros e do Parlamento Europeu, com expectativa de ratificação até o fim de 2025.
Trata-se de um marco histórico que promete redefinir as relações econômicas e políticas entre os dois blocos e abrir novas oportunidades para Itália, Brasil e toda a América Latina.
As tratativas começaram em 1999 e enfrentaram resistências, sobretudo do setor agrícola europeu, liderado pela França. A inclusão de salvaguardas comerciais foi fundamental para superar barreiras e permitir que o processo avançasse. A previsão é de assinatura oficial em dezembro de 2025, durante a Cúpula do Mercosul em Brasília, consolidando um mercado integrado de 780 milhões de consumidores.
Para a Itália, o acordo fortalece sua posição dentro da União Europeia e amplia sua presença na América Latina. Com sua tradição industrial, cultural e criativa, o país tende a ganhar em setores como manufatura, moda, design e tecnologia, além de aprofundar relações históricas com o Brasil, onde vivem milhares de descendentes de italianos.
O Brasil, como maior economia do Mercosul, colherá benefícios diretos. O tratado diversifica parcerias comerciais, reduz a dependência de mercados como a China e fomenta a modernização da indústria nacional. Estimativas do Ipea apontam para um aumento de investimentos e ganhos significativos na balança comercial, especialmente para o agronegócio, que terá acesso preferencial ao mercado europeu.
Na América Latina, o impacto será igualmente profundo. O acordo fortalece o Mercosul como plataforma de inserção internacional e cria condições para atrair novos parceiros globais, estimulando integração regional e sustentabilidade. Ao mesmo tempo, reaproxima a região da Europa em um contexto de tensões comerciais e protecionismo em outras partes do mundo.
Mais do que um tratado comercial, o Acordo Mercosul-União Europeia é uma ponte para o futuro, conectando economias, culturas e povos.
Para a Itália, significa reforçar laços históricos; para o Brasil, representa crescimento e modernização; e para a América Latina, é um passo decisivo rumo à integração global. Vejo neste acordo o reflexo da minha trajetória: unir nações, promover direitos e construir um futuro mais colaborativo.
