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Opinião

Itália conquista recorde histórico e se torna referência mundial em doação e transplante de órgãos 

Com resultados inéditos e avanços tecnológicos, o país reforça sua liderança global e transforma solidariedade em vidas salvas

Redação Jornal de Brasília

07/11/2025 15h01

medico cirurgia

Foto: Breno Esaki/Arquivo Agência Saúde-DF

Por Renata Bueno*

Em um mundo em que a solidariedade humana se traduz em vidas salvas, a Itália reafirma seu protagonismo global ao alcançar resultados históricos em doação e transplante de órgãos. Mais do que um feito técnico ou estatístico, essa conquista reflete uma cultura de generosidade e responsabilidade social que transforma a dor em esperança e inspira o mundo. 

De acordo com o Relatório Anual do Centro Nacional de Transplantes (CNT), o último ano foi o mais promissor da história italiana: 4.692 transplantes foram realizados, um aumento de 5,1% em relação ao período anterior e o maior volume já registrado no país. O número de doadores também cresceu, totalizando 2.110 pessoas, alta de 2,7%. Cada número representa uma história reescrita e o poder transformador de uma decisão altruísta. 

Entre os avanços mais significativos está o crescimento das doações em assistolia (após parada cardíaca), que aumentaram 34,6% e atingiram 284 casos, o maior salto da Europa depois da Espanha. Esse modelo, que há poucos anos era considerado um desafio técnico e ético, tornou-se possível graças à legislação italiana, que estabelece um período de observação de 20 minutos antes da declaração de óbito. O resultado é um sistema confiável, seguro e eficaz, com desempenho clínico comparável ao das doações em morte encefálica. 

Os transplantes renais continuam liderando, com 2.393 procedimentos, seguidos por fígado e coração. Regiões como Toscana, Emília-Romanha e Veneto se destacam pela eficiência e equidade no atendimento, refletindo a força e a integração do sistema nacional. 

O Boletim de Transplantes do Conselho da Europa confirma a excelência italiana, que mantém taxas de doação e transplante acima da média mundial. Ainda assim, 8.024 pessoas permanecem na lista de espera, um lembrete de que a generosidade ainda é essencial para manter o ciclo da vida. O tempo médio de espera é de três anos para um rim e pouco mais de dois anos e meio para um pulmão, mas, em casos de emergência nacional, esses prazos são reduzidos a poucos dias, demonstrando a agilidade e a coordenação da rede de saúde italiana. 

Com 29,5 doadores por milhão de habitantes, a Itália ocupa o segundo lugar na Europa, atrás apenas da Espanha (48,9 pmp) e à frente de países como França, Alemanha e Reino Unido. Esse desempenho é resultado direto do trabalho integrado da Rede Nacional de Transplantes (RNT), criada em 1999, que conecta hospitais, regiões e órgãos públicos em um sistema de alta eficiência. Programas de formação de coordenadores hospitalares, campanhas de conscientização e políticas de consentimento presumido com direito de oposição ajudaram a transformar a doação de órgãos em um verdadeiro ato de orgulho cívico.

O avanço se reflete também nas doações de tecidos, que atingiram números recordes: 15.487 coletas e 25.872 transplantes, impulsionados especialmente por córneas e peles. 

Entre os feitos mais impressionantes, o Policlinico di Bari alcançou um marco histórico ao se tornar o primeiro centro europeu em número de transplantes cardíacos, com 94 intervenções realizadas até 31 de outubro. O hospital superou instituições de referência, como o Pitié-Salpêtrière, em Paris, e os centros alemães de Bad Oeynhausen e Düsseldorf. Sob a liderança do professor Tomaso Bottio, a equipe de Bari demonstrou que o Sul da Itália é capaz de competir, e vencer, nos mais altos níveis internacionais. 

O presidente da Puglia, Michele Emiliano, celebrou o feito como símbolo da maturidade e da competência do sistema de saúde italiano. Já o diretor do CNT, Giuseppe Feltrin, destacou que “esses números confirmam a força e a coesão do modelo italiano de transplantes”. 

A liderança italiana é o resultado de políticas públicas consistentes, investimento em inovação e, sobretudo, da coragem das famílias que, em meio à dor, escolhem dar vida a outros. Em um cenário global ainda marcado por longas listas de espera, o exemplo da Itália é um convite à ação. Cada cidadão pode fazer a diferença ao declarar sua vontade de doar no portal do Ministero della Salute. 

Mais do que números, o que se celebra é a confirmação de que a vida pode renascer através da solidariedade. A Itália mostra ao mundo que a grandeza de uma nação se mede pela sua capacidade de compartilhar, e que cada doação é um novo começo.

Renata Bueno é uma parlamentar ítalo-brasileira nascida em 1979 em Brasília, DF, Brasil. Conhecida por seu envolvimento na política e na defesa dos direitos dos descendentes de italianos no Brasil. Renata Bueno foi eleita deputada federal em 2010, sendo a primeira mulher eleita pelo Partido Socialista Italiano (PSI) fora da Itália. Sua atuação política tem sido focada em temas relacionados à cidadania italiana, imigração, e fortalecimento dos laços entre Brasil e Itália. Ela é presidente da Associação pela Cidadania Italiana no Brasil e tem trabalhado para facilitar o processo de reconhecimento da cidadania italiana para descendentes de italianos no país. Além de parlamentar, Renata é advogada e empresária, com o Instituto Cidadania Italiana e Mozzarellart.

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