Por Renata Bueno, ex-parlamentar italiana, advogada e empreendedora
Nos últimos anos, o empreendedorismo feminino deixou de ser apenas uma alternativa profissional para se tornar um movimento de transformação social. Muito além da geração de renda, empreender representa autonomia, voz ativa e liberdade de escolha. É importante lembrar que o trabalho não é apenas uma fonte de sustento, ele é também um instrumento de independência, dignidade e protagonismo.
Tenho uma trajetória construída entre o Direito, a vida pública e o empreendedorismo. Essa caminhada me permitiu dialogar com mulheres de diferentes realidades, culturas e profissões. Em comum, encontro sempre o mesmo desejo: liberdade para decidir o próprio futuro. E essa liberdade, na prática, tem um nome muito claro: independência financeira.
Quando falamos sobre mulheres no mercado de trabalho, muitas vezes o foco fica apenas no emprego ou no faturamento. Mas existem outras consequências profundas e transformadoras que merecem destaque. A independência financeira fortalece a autoestima, amplia o poder de decisão, reduz vulnerabilidades e permite que a mulher escolha, e não apenas aceite os caminhos da sua vida pessoal e profissional.
Empreender é também um exercício de coragem. É aprender a trabalhar com recursos limitados, a começar pequeno, a testar ideias, a desenvolver produtos e serviços com criatividade e foco. Muitas mulheres iniciam seus negócios com muito menos do que o ideal, menos capital, menos apoio, menos acesso, mas com muito mais determinação. E é justamente essa capacidade de construir com o que se tem que gera negócios sólidos e histórias inspiradoras.
Eu gosto de conversar com mulheres, trocar experiências, ouvir trajetórias reais. Gosto de pessoas que fazem, que vivem seus projetos, que merecem crescer e que ajudam outras a crescer também. O empreendedorismo feminino tem um efeito multiplicador: quando uma mulher conquista sua autonomia, ela influencia sua família, sua comunidade e outras mulheres ao seu redor.
Ser forte no mercado de trabalho não significa ser dura ou inflexível. Significa ser preparada, estratégica, consciente do próprio valor. Significa negociar melhor, estudar continuamente, criar redes de apoio e colaboração. Nenhuma jornada precisa ou deve ser solitária.
Outro ponto essencial é entender que independência financeira não é apenas ganhar dinheiro, mas saber administrá-lo. Educação financeira, planejamento e visão de longo prazo fazem parte do processo de liberdade econômica. Empreender com propósito e organização transforma renda em patrimônio e trabalho em legado.
Vivemos um momento em que se fala muito sobre protagonismo feminino e isso é positivo. Mas é preciso transformar discurso em prática. Incentivar capacitação, acesso a crédito, mentoria, networking e oportunidades reais de mercado. A independência não nasce de um slogan; ela nasce de ação contínua.
A minha mensagem às mulheres é direta: invistam em vocês, nas suas competências, nos seus projetos. Desenvolvam produtos de vida, profissionais e pessoais, que garantam autonomia. Liberdade não é um acaso. É uma construção diária.
E construir a própria liberdade é, talvez, a forma mais poderosa de empreendedorismo que existe.
