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Opinião

Curiosidades da Páscoa na Itália e no Brasil: tradições que conectam culturas

Na Itália, a Páscoa — ou Pasqua — é celebrada com profunda religiosidade e forte valorização da convivência familiar

Redação Jornal de Brasília

05/04/2026 17h17

pascoa

Foto: Divulgação

Por Renata Bueno, ex-parlamentar italiana, advogada e empreendedora

A Páscoa é uma das celebrações mais significativas do calendário cristão, carregada de simbolismo, fé e tradições que atravessam gerações. Vivenciando de perto as culturas italiana e brasileira, é impossível não perceber como essa data, embora compartilhada em essência, se manifesta de formas únicas em cada país, revelando histórias, costumes e identidades distintas.

Na Itália, a Páscoa — ou Pasqua — é celebrada com profunda religiosidade e forte valorização da convivência familiar. As cidades italianas ganham vida com procissões tradicionais, muitas delas centenárias, que reencenam a paixão de Cristo com impressionante envolvimento da comunidade. Em regiões como a Sicília e a Toscana, essas manifestações chegam a mobilizar cidades inteiras, preservando rituais que atravessam séculos.

Um dos maiores símbolos da Páscoa italiana é a “Colomba Pasquale”, um bolo em formato de pomba, que representa a paz. Feita com massa semelhante ao panetone, leva frutas cristalizadas e cobertura de amêndoas. Além disso, os ovos de chocolate também estão presentes, mas com um diferencial curioso: tradicionalmente, eles escondem surpresas em seu interior, desde pequenos brinquedos até joias, tornando o gesto de presentear ainda mais especial.

Outro costume marcante na Itália é o almoço de domingo de Páscoa, que costuma ser longo e farto, reunindo toda a família. Pratos típicos variam conforme a região, mas frequentemente incluem cordeiro, massas frescas e sobremesas tradicionais. Já a segunda-feira, chamada de “Pasquetta”, é reservada para passeios ao ar livre, piqueniques e momentos de descontração com amigos e familiares.

No Brasil, por sua vez, a Páscoa também possui forte influência religiosa, mas incorpora elementos culturais próprios, com uma atmosfera mais comercial e voltada ao consumo, especialmente no que diz respeito aos ovos de chocolate. As semanas que antecedem a data são marcadas pela Semana Santa, com celebrações nas igrejas, encenações da Via Sacra e procissões em diversas cidades.

Uma tradição bastante enraizada no Brasil é evitar o consumo de carne vermelha na Sexta-feira Santa, substituindo-a por peixes e frutos do mar, hábito que reforça o caráter de reflexão e respeito da data. Já no domingo de Páscoa, o momento é de confraternização, troca de chocolates e celebração em família.

Curiosamente, enquanto na Itália o foco recai mais sobre a refeição e os rituais religiosos, no Brasil o protagonismo acaba sendo dividido com os chocolates, especialmente entre as crianças. Ainda assim, em ambos os países, a essência permanece a mesma: um período de renovação, esperança e união.

Vivenciar essas duas culturas me permite perceber que, mais do que diferenças, a Páscoa revela a riqueza das tradições e a capacidade que temos de ressignificar celebrações de acordo com nossa história e identidade. Seja em uma mesa italiana repleta de pratos típicos ou em um lar brasileiro cheio de chocolates e afeto, o que realmente importa é o significado que carregamos: o renascimento, a fé e os laços que nos unem.

Buona Pasqua! Feliz Páscoa!

Renata Bueno é uma parlamentar ítalo-brasileira nascida em 1979 em Brasília, DF, Brasil. Conhecida por seu envolvimento na política e na defesa dos direitos dos descendentes de italianos no Brasil. Renata Bueno foi eleita deputada federal em 2010, sendo a primeira mulher eleita pelo Partido Socialista Italiano (PSI) fora da Itália. Sua atuação política tem sido focada em temas relacionados à cidadania italiana, imigração, e fortalecimento dos laços entre Brasil e Itália. Ela é presidente da Associação pela Cidadania Italiana no Brasil e tem trabalhado para facilitar o processo de reconhecimento da cidadania italiana para descendentes de italianos no país. Além de parlamentar, Renata é advogada e empresária, com o Instituto Cidadania Italiana e Mozzarellart.

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