Por Renata Bueno*
Em um mundo ainda marcado por conflitos e desigualdades, o recente acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza representa um raio de esperança para milhões de pessoas afetadas por anos de violência. Como ex-parlamentar italiana e advogada internacional especializada em direitos humanos, eu, Renata Bueno, vejo nesse momento não apenas o fim de uma fase sangrenta de dois anos de guerra, iniciada em outubro de 2023, mas uma oportunidade imperdível para reconstruir vidas, restaurar a dignidade e garantir direitos fundamentais como acesso a água potável, alimentação adequada e qualidade de vida.
A guerra deixou um rastro de devastação inimaginável: mais de 58 mil palestinos mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, e milhares de israelenses sofreram com o terror dos ataques iniciais do Hamas.
Cidades inteiras reduzidas a escombros, famílias separadas e uma crise humanitária que afetou mais de dois milhões de pessoas, com fome, doenças e falta de recursos básicos. Defendi causas de emigração e direitos dos vulneráveis durante meu mandato no Parlamento Italiano, testemunhei como conflitos armados perpetuam ciclos de pobreza e violência. Em Gaza, isso se traduziu em uma catástrofe: 90% das famílias sem acesso a água segura, mais de 500 mil pessoas em condições catastróficas de fome e crianças morrendo de desnutrição, com relatos da OMS indicando um agravamento contínuo em 2025, incluindo dezenas de casos adicionais desde o cessar-fogo.
O fim dessa guerra não é apenas uma questão geopolítica; é uma emergência humanitária. Sem paz, não há como restaurar a infraestrutura de água e saneamento, destruída em 89% de sua capacidade, nem distribuir alimentos em escala suficiente para evitar o que a Anistia Internationaly International chama de “armação da fome”. A qualidade de vida em Gaza caiu a níveis inéditos, com centenas de crianças internadas por desnutrição diariamente, conforme dados atualizados da UNICEF para 2025. É hora de priorizar a vida humana sobre divisões ideológicas.
Anunciado em 9 de outubro, o acordo de cessar-fogo aprova a primeira fase de um plano de 20 pontos proposto pelo presidente Trump, com o governo israelense, sob Benjamin Netanyahu, ratificando-o nas primeiras horas de 10 de outubro e iniciando a retirada de tropas de partes de Gaza, abrindo caminho para uma trégua que pode durar indefinidamente se as fases subsequentes forem implementadas. Esse acordo não é um simples alto-el-fogo; é um compromisso com a reconstrução, com centenas de caminhões de ajuda humanitária – alimentos, medicamentos e suprimentos de água – entrando diariamente em Gaza desde 11 de outubro, aliviando o bloqueio que durou meses e marcando um fluxo contínuo supervisionado pela ONU e parceiros como Egito, Qatar e Emirados Árabes Unidos, garantindo que ninguém seja forçado a deixar Gaza, mas que retornos e saídas voluntárias ocorram livremente.
Para a Itália e a Europa, que historicamente apoiam a solução de dois Estados, esse é um passo vital para a normalização do Oriente Médio, ecoando declarações como a de Trump ao Knesset em 13 de outubro: “A era do terror e da morte acabou”. Como ex-deputada, sei que a paz só é sustentável quando inclui vozes de todos os lados, abrindo portas para negociações sobre o desarmamento do Hamas e a governança de Gaza, com progresso monitorado internacionalmente para evitar recaídas.
Um dos pilares mais emocionantes do acordo é a libertação dos reféns, que ocorreu de forma acelerada nos dias seguintes ao cessar-fogo. Dos reféns israelenses ainda detidos pelo Hamas, cerca de 20 vivos, conforme estimativas iniciais, foram libertados, e após ocorreu a entrega de corpos de falecidos (28 no total), permitindo reunões familiares em meio a lágrimas de alívio. Em troca, Israel libertou 250 prisioneiros palestinos de longo prazo e 1.700 detidos durante a guerra, incluindo crianças e figuras proeminentes, em trocas que reforçam o princípio de que nenhum ser humano é descartável. Para mim, como advogada que lidou com casos de migração forçada e reféns em contextos internacionais, isso restaura famílias, cura traumas e mostra que a compaixão pode prevalecer em meio ao conflito.
O verdadeiro teste do acordo virá na implementação de medidas para os direitos humanos, especialmente agora com atualizações de outubro de 2025 indicando que o fluxo de ajuda já começou a mitigar crises imediatas. A guerra transformou Gaza em um epicentro de violações: a ONU denuncia o uso da “sede como arma”, com 90% das famílias ainda lutando por água potável segura e infraestrutura de saneamento destruída, enquanto a fome, classificada como “catastrófica” pelo IPC, afeta 22% da população, com projeções de alívio gradual até o final de 2025 graças à entrada de suprimentos.
O cessar-fogo permite uma resposta humanitária em escala: poços de água operando com combustível restaurado, distribuição de alimentos pela ONU e programas de nutrição para 700 mil crianças, conforme relatórios iniciais pós-acordo. Isso não é caridade; é obrigação internacional, conforme a Corte Internacional de Justiça reforçou em julho de 2024, exigindo que Israel, como potência ocupante, garanta alimentos e água – um dever agora facilitado pelo acordo. A qualidade de vida é um direito universal à saúde, educação e dignidade; sem água e comida, não há562 reconstrução, apenas mais sofrimento, como os incidentes fatais em buscas por recursos no verão de 2025. Como defensora dos direitos humanos, apelo à comunidade internacional: monitore o acordo de perto, invista em Gaza e pressione por accountability, com a Europa liderando na mediação.
O cessar-fogo em Gaza e Israel, com a libertação dos reféns e o influxo de ajuda, marca o início de uma nova era em outubro de 2025. Mas a paz verdadeira exige ação contínua: restaurar água e alimentação, elevar a qualidade de vida e proteger direitos humanos para todos – israelenses, palestinos e vizinhos. Que esse acordo seja o catalisador para uma solução de dois Estados, prosperidade compartilhada e humanidade restaurada. O mundo está assistindo e deve agir agora para transformar essa esperança em realidade duradoura.
