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Opinião

A Bahia não é pobre por acaso: o fracasso da educação cobra sua conta

Novo IDEB mostra avanços pontuais, mas mantém a Bahia abaixo da média nacional e expõe uma contradição incômoda: um estado majoritariamente negro continua oferecendo aos seus jovens uma educação incapaz de romper o ciclo histórico da desigualdade.

Redação Jornal de Brasília

10/08/2026 19h58

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foto Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Por Zé Américo Silva*

A Bahia gosta de celebrar sua cultura, sua história e sua identidade negra. Mas há uma pergunta que precisa ser feita com muito menos festa e muito mais indignação: que futuro estamos oferecendo à população que representa quase 80% dos baianos?

Os números do IDEB 2025, divulgados nesta semana pelo MEC e pelo Inep, ajudam a explicar por que a Bahia permanece entre os estados socialmente mais vulneráveis do país.

Houve melhora. Negar isso seria desonesto. O problema é comparar a Bahia consigo mesma e esquecer que os outros estados também avançaram.

Considerando todas as redes, a Bahia chegou a 5,7 nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,5 nos anos finais e apenas 4,0 no ensino médio. As médias brasileiras foram, respectivamente, 6,3, 5,3 e 4,5. Na rede estadual, o ensino médio ficou ainda pior: 3,8.

Não estamos falando apenas de notas escolares. Estamos falando de desenvolvimento.

Educação, renda e longevidade formam a base do Índice de Desenvolvimento Humano. O próprio PNUD acaba de demonstrar que a educação foi a dimensão que mais impulsionou o avanço recente do desenvolvimento humano brasileiro. Onde a escola fracassa, diminuem as oportunidades, a produtividade e a renda, enquanto se reproduzem pobreza e desigualdade. (PNUD⁠)

A Bahia tem IDH de 0,691 e rendimento domiciliar per capita de apenas R$ 1.465, diante de uma média brasileira de R$ 2.316. (IBGE⁠) É impossível separar esses números.

E existe uma dimensão racial que torna o problema ainda mais grave. Segundo o Censo, 79,7% da população baiana é preta ou parda, e a Bahia possui a maior proporção de pessoas pretas entre todos os estados brasileiros: 22,4%.

Portanto, quando a educação pública baiana fracassa, não fracassa sobre uma população abstrata. Ela atinge principalmente crianças e jovens negros. E aqui a responsabilidade política precisa ser cobrada.

O grupo que governa a Bahia está há cerca de duas décadas no poder. Jerônimo Rodrigues foi secretário estadual da Educação entre 2019 e 2022 e governa o Estado desde 2023. Portanto, conhece o problema por dentro, administrou a pasta e hoje ocupa o cargo de onde poderia liderar sua transformação.

Construir escolas é necessário. Ampliar tempo integral é importante. Investir bilhões em infraestrutura também. Mas escola bonita sem aprendizagem não altera o destino de uma geração.

Depois de tantos anos, já não basta anunciar investimento. É preciso entregar resultado.

Porque talvez uma das maiores dívidas da política baiana com seu povo — e especialmente com sua maioria negra — não esteja apenas na renda que falta hoje. Está na educação que lhe foi negada ontem e continua insuficiente amanhã.


*Zé Américo Silva é jornalista e consultor de marketing político

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