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Zuckerberg nega intenções de viciar jovens em redes sociais durante julgamento

O CEO da Meta foi confrontado com documentos internos que sugerem estratégias para atrair pré-adolescentes, em processo que acusa a empresa de prejudicar a saúde mental de crianças e adolescentes.

Redação Jornal de Brasília

19/02/2026 11h26

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Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP

Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta Platforms, negou repetidamente durante um julgamento em Los Angeles que a empresa desenvolva redes sociais com o objetivo de viciar jovens em telas. O processo, iniciado por uma mulher da Califórnia que alega danos à sua saúde mental causados pelo uso do Instagram e YouTube quando criança, acusa a Meta e o Google de priorizar lucros em detrimento da segurança dos usuários menores de idade.

Zuckerberg afirmou que a Meta não permite o uso de suas plataformas por crianças menores de 13 anos, mas foi pressionado pelo advogado Mark Lanier com evidências de documentos internos. Uma apresentação do Instagram de 2018 declarava: ‘Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência’. O CEO rebateu, alegando que as palavras estavam sendo distorcidas e que a empresa explorou ideias para serviços seguros para crianças, sem concretizá-las.

Outros documentos apresentados incluem um e-mail de 2014 e 2015 do próprio Zuckerberg estabelecendo metas para aumentar o tempo de uso do aplicativo em dois dígitos percentuais, contradizendo declarações dele ao Congresso em 2021. Ele esclareceu que, embora metas semelhantes tenham existido no passado, a abordagem mudou, e os números recentes, como o aumento de 40 para 46 minutos diários de uso projetado até 2026, seriam apenas constatações para a diretoria, não objetivos.

Zuckerberg também destacou que adolescentes representam menos de 1% da receita da Meta e que verificar a idade dos usuários é desafiador, sugerindo que a responsabilidade recai sobre fabricantes de dispositivos móveis. As empresas negam as alegações e enfatizam recursos de segurança implementados.

O julgamento, o primeiro em que Zuckerberg testemunha sobre o impacto do Instagram na saúde mental de jovens, faz parte de uma onda de processos nos EUA contra big techs como Meta, Google, Snap e TikTok. Famílias e estados acusam as plataformas de contribuir para uma crise de saúde mental entre jovens, com base em documentos internos revelando conhecimentos prévios de danos, como agravamento de transtornos alimentares e depressão.

Snap e TikTok já chegaram a acordos com a autora. Fora do tribunal, pais de vítimas semelhantes expressaram esperança de que o veredicto force mudanças no setor. Globalmente, reações incluem a proibição na Austrália para menores de 16 anos e restrições na Flórida para menores de 14, contestadas judicialmente.

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