Três dias depois das eleições presidenciais do Zimbábue, symptoms nenhum dado da apuração foi revelado até agora, enquanto Governo e oposição se reúnem separadamente para pensar nos próximos passos.
“Pedimos à nação que seja paciente, porque há um processo de apuração muito meticuloso”, afirmou hoje em comunicado o chefe da Comissão Eleitoral do Zimbábue, Lovemore Sekeramayi, ao tentar justificar o atraso na entrega dos resultados.
Sekeramayi e os outros seis membros da Comissão foram nomeados pelo presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, de 84 anos.
Mugabe está no poder desde 1980, quando o país conquistou sua independência, e tentou uma nova reeleição no sábado passado.
Os únicos resultados do pleito conhecidos até agora são os dados parciais da apuração das eleições parlamentares, que foram simultâneas às presidenciais e às municipais.
Nessa apuração parcial, o partido governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e a oposição têm quase o mesmo número de cadeiras: o Governo tem 68, e os opositores, 72.
Nas últimas horas, Governo e oposição se reuniram separadamente para analisar o aparente ponto morto político que existe no Zimbábue e tentar buscar soluções.
Fontes do Zanu-PF disseram à Agência Efe que Mugabe se reuniu na noite de segunda-feira e também hoje com seus assessores mais próximos.
Segundo as fontes, o presidente do Zimbábue pediu durante a reunião para que sejam divulgados os resultados das eleições presidenciais, os quais, segundo a oposição, estão sendo retidos pela Comissão Eleitoral.
As mesmas fontes – que preferiram não se identificar – acrescentaram que Mugabe se mostrou disposto a ceder o poder se as urnas não lhe derem a maioria dos votos, mas teme que os chefes militares e policiais rejeitem este novo rumo político no país.
Pelo outro lado da disputa, fontes próximas ao líder do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, disseram à Efe que houve reuniões do dirigente político com vários diplomatas ocidentais, mas não se sabe o que foi discutido nesses contatos.
Na vizinha África do Sul, a emissora pública de televisão “SABC” reproduziu informações não confirmadas de que o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, conversou com o chefe de Estado sul-africano, Thabo Mbeki, para pressionar Mugabe.
O Governo da África do Sul, um dos mais influentes no continente africano, mantém uma boa relação com Mugabe, isolado diplomaticamente pelo Ocidente.
Com a falta de dados oficiais sobre as eleições presidenciais, surgiram informações extra-oficiais ou projeções de observadores independentes com resultados não coincidentes, o que aumenta a ansiedade da população do Zimbábue.
Poucas horas após o fim da votação no sábado, o MDC se declarou vitorioso nas eleições presidenciais com 60% dos votos, segundo os dados obtidos por seus agentes nos centros de votação.
Por sua parte, a Rede de Apoio Eleitoral do Zimbábue, uma coalizão independente integrada por 38 organizações sociais do país, divulgou hoje sua própria projeção eleitoral do pleito presidencial.
Segundo os dados da coalizão, Tsvangirai obteve 49,4% dos votos, Mugabe ficou com 41,8%, e Simba Makoni, ex-ministro das Finanças do Zimbábue e candidato independente, apoiado por uma facção dissidente do MDC liderada por Arthur Mutambara, obteve 8,2%.
O 0,6% restante vai para Langton Towungana, candidato de um partido cristão praticamente desconhecido.
A Rede de Apoio Eleitoral do Zimbábue espalhou cerca de oito mil observadores nas eleições do último dia 29. Seus dados procedem dos resultados de 435 mesas de votação.
Caso estes dados sejam confirmados, o Zimbábue iria para um segundo turno das eleições presidenciais pela primeira vez em sua história, já que nenhum dos candidatos chegaria a mais de 50% dos votos.
Mugabe chegou a descartar essa possibilidade por antecipação porque isso não ocorreu no passado “e também não ocorrerá agora”.