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Zelensky se reúne em Londres com aliados europeus após críticas de Trump

A reunião ocorre após vários dias de negociações em Miami entre autoridades ucranianas e americanas, que terminaram sem avanços

Redação Jornal de Brasília

08/12/2025 11h53

Foto: HANDOUT / AFP

Foto: HANDOUT / AFP

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, se reúne com seus aliados europeus em Londres nesta segunda-feira (8), após o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, acusá-lo de não ter lido a proposta de Washington para encerrar o conflito com a Rússia.

A reunião ocorre após vários dias de negociações em Miami entre autoridades ucranianas e americanas, que terminaram sem avanços.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recebeu o presidente ucraniano, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, em sua residência em Downing Street para discutir os avanços rumo ao fim do conflito.

Friedrich Merz expressou ceticismo em relação a “alguns detalhes” das propostas americanas durante a declaração que marcou o início das negociações.

“Estou cético em relação a alguns detalhes que vemos nos documentos dos Estados Unidos, mas precisamos discuti-los. É por isso que estamos aqui”, declarou.

Macron também observou, antes da reunião, que “o principal problema é alcançar a convergência” entre as posições comuns dos aliados europeus, da Ucrânia e dos Estados Unidos.

Segundo Macron, essa convergência seria necessária “para concluir essas negociações de paz e, então, iniciar uma nova fase nas melhores condições possíveis para a Ucrânia, para os europeus e para a segurança coletiva”.

– Questão territorial –

A questão territorial continua sendo “a mais problemática” nas negociações para o fim da guerra, que começou há quase quatro anos com a invasão russa da Ucrânia, disse à AFP um funcionário de alto escalão envolvido nos diálogos.

“Putin não quer assinar nenhum acordo” se “a Ucrânia não ceder territórios” no Donbass, a região leste da Ucrânia parcialmente ocupada por tropas russas, acrescentou a fonte ucraniana sob condição de anonimato.

Antes de receber Zelensky, Starmer insistiu que não o pressionaria a aceitar o acordo promovido pelo governo de Trump.

“O mais importante é garantir que, se houver um cessar das hostilidades — e espero que haja — que seja justo e duradouro, e é nisso que nos concentraremos esta tarde”, disse o primeiro-ministro britânico à ITV News.

– Ativos russos –

A questão do uso de ativos russos congelados na Europa para financiar a Ucrânia pode estar na agenda das negociações desta segunda-feira. Um porta-voz de Downing Street afirmou que espera “ver avanços em breve” sobre o assunto.

O Executivo europeu apresentou um plano para recorrer aos ativos russos congelados na Europa, mas enfrenta resistência da Bélgica, país onde está localizada a Euroclear, que detém aproximadamente 244 bilhões de dólares (R$ 1,3 trilhão) em ativos russos, dos quase 274 bilhões de dólares (R$ 1,4 trilhão) mantidos na UE.

Após a reunião em Londres, Zelensky viajará para Bruxelas, onde se encontrará nesta segunda-feira com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, chegará a Washington também nesta segunda-feira para se reunir com seu homólogo americano, Marco Rubio.

Moscou continua com seus ataques contra a Ucrânia, onde nove pessoas ficaram feridas nas últimas horas, segundo autoridades de Kiev. A Rússia rejeitou partes do plano americano e afirmou que ainda há “muito trabalho a ser feito”.

O plano inicial de Washington para encerrar a guerra na Ucrânia previa que Kiev cedesse território à Rússia em troca de algumas garantias de segurança. Essas garantias, no entanto, são vagas e o plano não obteve apoio da Ucrânia nem da Europa.

AFP

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