O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu hoje à secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, que explique se seu país mudou de posição com relação ao golpe de Estado de 28 de junho.
“Nesta ocasião, nos vemos obrigados a apresentar publicamente esta respeitosa solicitação à secretária de Estado dos Estados Unidos, a senhora Hillary Clinton, para que explique ao povo hondurenho, se a posição de seu país foi alterada ou modificada sobre a condenação ao golpe de Estado em Honduras”, escreveu Zelaya, em carta enviada à funcionária americana.
Zelaya escreveu a carta, à qual a imprensa teve acesso, após saber das declarações do subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, que insistiu ontem, em declarações à rede “CNN”, para que se respeite o que o Congresso de Honduras decidir sobre a restituição do destituído presidente.
Em sua carta à Hillary, Zelaya acrescentou: “agora se procura a todo custo, sem demora, o cumprimento dos acordos, com o objetivo de reconhecer as eleições (de 29 de novembro) sem reverter o golpe de Estado nem resolver a profunda crise que enfrenta nosso país”.
Na sexta-feira, as comissões de diálogo de Zelaya e do presidente de fato, Roberto Micheletti, assinaram o Acordo Tegucigalpa-San José, na presença de Shannon, que parabenizou às partes pela conquista alcançada.
Como parte do acordo, que o Congresso deve decidir sobre a restituição de Zelaya, ontem foi instalada a Comissão de Verificação, integrada pela ministra de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solís, o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos, um representante de Zelaya, Jorge Reina, e outro de Micheletti, Arturo Currais.
A posição de Shannon, no sentido de que os Estados Unidos apoiam o acordo entre as comissões de Zelaya e Micheletti, à margem da decisão do Congresso, de restituir ou não ao governante destituído, contradiz a Comissão verificadora, acrescenta a carta enviada pelo presidente deposto a Hillary.