O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse hoje que na próxima quinta-feira, quando deve ser formado um Governo de Unidade segundo o acordo alcançado com o regime de fato, o Congresso já terá que ter decidido sobre sua restituição, embora tal pacto não estabelece data para isto.
“Para a quinta-feira o Governo de Unidade deverá estar organizado e instalado, para esse dia tem que ter sido resolvido o ponto 5”, referente à resolução do Legislativo sobre sua restituição, disse em um discurso por rádio desde a embaixada do Brasil. EFE
Além disso, em uma confusa mensagem transmitida pela “Rádio Globo”, Zelaya insinuou que não aceitaria uma resolução do Parlamento contra sua restituição e daria por rompido o diálogo se isto acontecesse, apesar desse órgão não ter assinado o pacto e não ter se comprometido a nada.
O presidente deposto reconheceu que o Acordo de Tegucigalpa-San José “só obriga as partes”, e que o Congresso Nacional, que o destituiu em 28 de junho, “pode resolver manter o golpe de Estado”, votando contra seu retorno ao poder.
No entanto, acrescentou, “o Congresso Nacional, se na sessão que vai realizar reafirmar que o que fez está bem feito, e que o golpe de Estado está bem feito, então não fizemos absolutamente nada mais que burlar a comunidade internacional e burlar o povo hondurenho com este acordo”.
Zelaya asseverou que, durante a discussão do ponto do tratado referente a sua restituição, aceitou “que fossem tirados todos os eufemismos que pudessem criar controvérsias desnecessárias”.
“Por exemplo, eu não aceitei que se pusesse em discussão meu cargo nem minha nomeação como presidente. Isso era algo inaceitável para nós porque na Constituição de Honduras é o povo que elege os presidentes”, disse.
No entanto, disse que o acordo, como as resoluções da ONU e da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Acordo de San José, a cujo espírito apela o documento assinado ontem, “só têm um propósito: reverter o golpe de Estado colocando o presidente que foi destituído ilegalmente no cargo que lhe corresponde”.
“Estes são acordos de boa fé, haverá mil coisas que não estão postas aqui, mas que tem um espírito e um objetivo (…) Se o acordo não for cumprido, simplesmente fracassou o diálogo, fracassou o processo de reconciliação nacional e o acordo nesse momento foi totalmente rompido”, acrescentou.
“Espero que o Congresso Nacional tenha a sabedoria de emendar o golpe de Estado a fim de encontrar a reconciliação do povo hondurenho”, concluiu.