Após horas de incerteza sobre o andamento do diálogo, os representantes de Zelaya informaram à tarde que o presidente deposto rejeitou a proposta de Micheletti para que a Corte Suprema fosse a responsável por decidir sobre seu eventual retorno ao poder – ponto sobre o qual persiste a falta de consenso.
“A proposta que recebemos é uma proposta absolutamente inaceitável”, disse em entrevista coletiva Víctor Meza, membro da comissão de diálogo de Zelaya, ao esclarecer que o presidente deposto propôs que o Parlamento hondurenho seja a instância a decidir sobre sua restituição.
Meza acrescentou que os representantes de Zelaya aguardam uma resposta da representação de Micheletti e que o diálogo continua.
Enquanto as comissões de Zelaya e Micheletti concordavam no ponto de o diálogo não terminou, a chanceler do presidente deposto hondurenho, Patricia Rodas, afirmava na Bolívia que o processo “foi definitivamente rompido” pela “intransigência da ditadura” em aceitar a restituição do chefe de Estado constitucional.
“A intransigência da ditadura o fez fracassar (o diálogo) em sua parte medular, irrenunciável para o povo hondurenho, para o presidente Zelaya e para quem o acompanha nesta luta, que é a restituição do presidente”, disse Rodas em discurso na Cúpula da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) realizada na Bolívia.
Apesar de Meza ter anunciado na quinta-feira que esperava um acordo para as 12h de hoje, não houve consenso.
Micheletti “considera que deve ser no âmbito da Corte Suprema de Justiça, mas já a Corte Suprema de Justiça emitiu uma opinião jurídica sobre o Acordo de San José e, portanto, não tem nenhum sentido” que o problema seja resolvido pelo Poder Judiciário, assinalou Rodas.
Meza também advertiu que para os membros da comissão de Zelaya é a “última vez” que esperam uma resposta da representação de Micheletti, após o reatamento do diálogo desde 7 de outubro, com respaldo da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Segundo Meza, a iniciativa de Zelaya “é a proposta mais sensata”.
Além disso, afirmou que “não estamos colocando prazo ao Congresso Nacional” para que resolva.
Na sua opinião, esse poder do Estado “é o espaço natural para resolver os problemas políticos, não os tribunais”.
Vilma Morales, membro da comissão de diálogo de Micheletti, disse a Casa Presidencial recebeu hoje “uma contraproposta” da representação de Zelaya, que analisarão e responderão.
Expressou que vão “estudar a contraproposta” de Zelaya, que lhe dedicarão “o tempo que seja necessário” e que “o antes possível o diálogo será retomado”.
Acrescentou que “o diálogo segue vigente”.
Morales, ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, disse que os membros da mesa de diálogo seguem trabalhando em um marco de muito respeito e que nos temas que discutem “todos os pontos têm igual prioridade”.
Outro membro da comissão de diálogo de Micheletti, Arturo Currais, disse à agência Efe que no fim de semana trabalharão internamente e que “tentarão retomar o diálogo na segunda-feira”.
Zelaya se encontra desde 21 de setembro na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa e exige sua restituição no poder.