“Eles dariam tudo o que têm para ficar no poder, porque eles obedecem a uma coleira econômica que asfixia Honduras desde os anos 90”, disse Zelaya à Agência Efe por telefone a partir da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está abrigado desde 21 de setembro.
“Dos anos 90 para cá, houve um giro, o ser humano passou a ser mercadoria ou um número nas estatísticas, passou a acoplar-se às políticas neoliberais”, disse o presidente deposto.
Para Zelaya, os “grupos econômicos” que “impuseram” o presidente de fato, Roberto Micheletti, “privatizaram hoje os poderes do Estado”, os que “estão sendo destruídos”.
“Aqui em Honduras não há separação de poderes, têm o mesmo diretor neste momento, que é Micheletti”, afirmou Zelaya, que definiu o governante de fato como “um aprendiz de ditador”.
Quando perguntado sobre se voltaria ao poder sem o apoio do Parlamento, da Corte Suprema de Justiça, da Procuradoria, da iniciativa privada e de outros setores, Zelaya respondeu que “isso sempre ocorreu, não estranharia governar sem apoio de ninguém”.
Segundo o presidente deposto, o “grupo econômico” que decidiu por sua deposição “ordenou às Forças Armadas” para que o tirassem do país.
“Ordenaram que me tirassem do país, falsificaram minha assinatura, abriram um julgamento por delitos que não cometi”, disse Zelaya, quem completa na próxima quarta-feira um mês na embaixada do Brasil.
O presidente deposto contou que o tempo que está na sede diplomática brasileira, onde tem a companhia de quase 50 pessoas, “foi difícil” devido às investidas de policiais e militares.
Segundo Zelaya, as forças de segurança não os deixam dormir, com ruídos, ligações telefônicas, ameaças com franco-atiradores e outras ações.
Zelaya diz que continua esperando que a crise política em seu país se resolva e enfatizou que não acredita em Micheletti.