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Mundo

Zelaya diz que EUA fortalecem Micheletti ao mudarem de posição

Arquivo Geral

17/11/2009 0h00

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse hoje que os Estados Unidos fortalecem o Governo de fato presidido por Roberto Micheletti ao mudarem sua posição sobre o golpe de Estado de 28 de junho.

“Quando os EUA mudam sua posição, fortalecem o regime de Micheletti”, ressaltou Zelaya em declarações por telefone à Agência Efe a partir da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado desde 21 de setembro.

Zelaya acrescentou que, com a decisão dos EUA de reconhecer as eleições de 29 de novembro em Honduras, “eles arrumaram sua casa, mas desarrumaram a nossa”.

“Deixaram-nos pelo caminho, os EUA desacatara a OEA (Organização dos Estados Americanos) e as Nações Unidas, que ordenaram minha restituição no poder e condenaram o golpe de Estado”, destacou o governante deposto.

“Eles (os EUA) têm que respeitar minha posição, lhes exijo como o presidente de Honduras que reconheceram, mas, agora atendem a uma atividade de um Governo que não reconhecem”, enfatizou.

Segundo Zelaya, os EUA “caíram na armadilha dos parceiros de Micheletti em Washington”.

Além disso, considera que os EUA não se importaram com a posição do Grupo do Rio, da União de Nações Sul-americanas (Unasul), nem de países como o Brasil e os da América Central, “que se sentem frustrados (com Washington) porque se associa a um Governo que não reconhece”.

Zelaya diz que, com isso tudo, “saiu ganhando o ditador da terceira economia mais pobre da América Latina, Micheletti, que derrota a potência do mundo”.

“Sou o presidente de Honduras e, se os EUA me reconhecem, devem respeitar minhas opiniões e não aprovar atividades de Micheletti”, ressaltou.

Zelaya enfatizou que não renunciou à Presidência de Honduras e que disse na carta enviado ao presidente americano, Barack Obama, no sábado passado, que não aceita “nenhum acordo de retorno à Presidência para encobrir o golpe de Estado”.

“Eu manifestei que, de agora em diante, o único retorno aceitável é aquele que respeitar os procedimentos de lei do país que condenem o golpe de Estado e respeitem a soberania popular violada. Os acordos que me propõem violam esses princípios”, acrescentou.

Zelaya evitou responder se aceitará ou não sua restituição no poder diante de uma eventual decisão neste sentido do Congresso de Honduras, antes ou depois das eleições de 29 de novembro.

O presidente deposto disse apenas que não poderia responder a uma hipótese.

Em tom de alerta, Zelaya disse que os EUA e a comunidade internacional devem ficar atentos “porque o senhor Micheletti está planejando ir e deixar uma terceira pessoa (no poder) para encobrir seus delitos e sair impune do golpe de Estado”.

“Nesta semana, o Congresso Nacional pretende, é uma pretensão, aceitar uma renúncia de Micheletti e colocar uma terceira pessoa e tirá-lo impune”, disse.

“Peço à comunidade internacional para que não aprove uma ação dessas, porque será mais uma prova de uma cumplicidade para buscar uma saída ilegal do golpe de Estado”, afirmou Zelaya.

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