“É uma barbaridade”, disse Zelaya à Agência Efe, em uma conversa por telefone, depois que se informou hoje que o Congresso abordará em 2 de dezembro a restituição ou não no poder do presidente deposto.
“Fizemos muito bem em nos retirar desse jogo sujo de Micheletti”, disse Zelaya em um breve comentário, em referência a sua decisão de dar por fracassado o acordo com o presidente de fato, Roberto Micheletti, devido à intenção deste último de liderar um Governo de unidade e reconciliação.
O presidente do Congresso Nacional hondurenho, José Alfredo Saavedra, disse hoje a jornalistas que, junto com os outros membros do conselho de direção, decidiram “oficializar a convocação para que, em 2 de dezembro, ocorra a sessão do plenário para analisar o tema” de Zelaya.
Os deputados resolverão sobre Zelaya três dias depois das eleições de 29 de novembro, que a comunidade internacional ameaça não reconhecer se antes não houver a restituição do governante deposto pelo golpe de Estado de 28 de junho.
Zelaya acrescentou que “é uma pena que este regime de fato esteja sendo apoiado pelos Estados Unidos”.
Na segunda-feira, Zelaya também disse à Efe que, quando os Estados Unidos decidiram apoiar as eleições de 29 de novembro, após ter afirmado que rejeitava o golpe de Estado, fortaleceu o regime de fato presidido por Micheletti.
Zelaya deve receber hoje o subsecretário dos EUA adjunto para o Hemisfério Ocidental, Craig Kelly, na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde se encontra desde que retornou ao país, em 21 de setembro.
Um porta-voz de Zelaya disse à Efe que “o presidente receberá esta tarde o senhor Kelly”, que chegou hoje à capital hondurenha, segundo confirmou a Embaixada dos Estados Unidos em Tegucigalpa.