A viagem surpresa do presidente dos Estados Unidos, sale George W. Bush, medical ao Iraque reflete as dificuldades enfrentadas pela Casa Branca diante da pressão que sofre para demonstrar que a decisão de enviar tropas adicionais é efetiva.
Os Estados Unidos aprovaram no começo deste ano o desdobramento de 30 mil soldados adicionais no Iraque, em uma aposta estratégica que segundo o líder americano rende resultados.
“O general (David) Petraeus e o embaixador (Ryan) Crocker me dizem que se o sucesso que vemos agora continuar, será possível manter o mesmo nível de segurança com menos tropas americanas”, disse hoje o presidente na base aérea de Al-Assad, na província de Al-Anbar, oeste do Iraque.
Em suas declarações, divulgadas pela Casa Branca à imprensa que o acompanhará à cúpula da Apec na Austrália e que fez escala em Honolulu, não precisou, no entanto, quantos soldados seriam cortados nem quando a medida seria concretizada.
A Casa Branca desmentiu que a inesperada visita seja uma operação de relações públicas e insistiu em que o objetivo é permitir que Bush se reúna com os militares americanos no terreno alguns dias antes da apresentação ao Congresso dos Estados Unidos de um relatório-chave sobre a situação no Iraque.
“Pode ser que haja gente que tente zombar desta viagem e apresentá-la como uma operação de relações públicas”, disse hoje Dana Perino, uma das porta-vozes da Casa Branca, acrescentando “estamos totalmente em desacordo”.
Bush mantém hoje reuniões com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, com Petraeus, o principal responsável das forças americanas no Iraque, com Crocker, o embaixador americano em Bagdá, e outros altos funcionários iraquianos.
Sua breve estadia de seis horas no Iraque se limitará à base aérea de Al-Assad, uma escolha altamente simbólica.
A região de Al-Anbar era há apenas alguns meses uma das mais perigosas do território iraquiano, mas a aliança de tribos sunitas com tropas americanas para lutar contra a Al Qaeda se traduziu na pacificação da área, um exemplo, segundo a Casa Branca, que sua estratégia militar funciona.
O conselheiro de segurança nacional Stephen Hadley informou que a viagem relâmpago foi concebida há seis semanas quando os assessores da Casa Branca começaram a avaliar qual deveria ser o papel de Bush diante da iminente apresentação no dia 15 de setembro do relatório sobre a situação no Iraque.
A visita de Bush acontece quando a maioria dos jornalistas que cobrem a Casa Branca estava a bordo de um avião rumo a Sydney, aonde Bush chegará amanhã para participar da cúpula do fórum de Cooperação Econômica Ásia Pacífico (Apec).
“O presidente está no Iraque”, anunciou um porta-voz perante a total perplexidade dos representantes dos meios de imprensa, apenas alguns minutos antes do avião aterrissar em Honolulu para reabastecer.
Mais atônitos ainda ficaram os jornalistas que habitualmente acompanham o presidente a bordo do avião oficial Air Force One quando receberam instruções para que estivessem prontos para embarcar no domingo à noite e não nesta segunda-feira, quando se previa que Bush sairia rumo a Sydney.
Além disso, foi entregue a eles um mapa da base aérea Andrews, em Maryland, para que fossem a uma área diferente da habitual.
A visita de Bush é a terceira que realiza ao Iraque desde a invasão do país no dia 20 de março de 2003.
O presidente é acompanhado pela secretária de Estado, Condoleezza Rice e o secretário de Defesa, Robert Gates.