A visita do embaixador de Israel no Egito, Shalom Cohen, à sede do jornal oficial “Al-Ahram”, no Cairo, irritou o sindicato de jornalistas do país e provocou uma crise no diário, informou hoje o independente “Al-Masri Al-Youm”.
A diretora do suplemento mensal “Democracy Magazine”, Hala Mustafa, recebeu o diplomata israelense em seu escritório, o que provocou a ira do Sindicato de Jornalistas do Egito por “violar o código que proíbe qualquer contato com funcionários israelenses”.
O sindicato pediu a expulsão da jornalista da associação profissional, informa hoje o “Al-Masri Al-Youm”.
Segundo este jornal, o sindicato planeja emitir um comunicado de condenação sobre esta reunião, além de pedir uma investigação por violar seu código normativo.
É a primeira vez que um diplomata israelense é recebido por um jornal egípcio desde que os dois países assinaram um tratado de paz e normalizaram relações diplomáticas, em 1979, que pôs fim a 31 anos de conflito.
“Guardas de segurança do edifício do “Al-Ahram” se surpreenderam pela chegada do embaixador, mas não tinham instruções para negar a entrada”, segundo a notícia do “Al-Masri Al-Youm”.
O relato do jornal da concorrência, tanto comercial quanto ideológica, também afirma que vários chefes e diretores do “Al-Ahram”, incluindo seu diretor, Osama Saraya, apoiaram a jornalista e deixaram claro ao sindicato e a outros trabalhadores do jornal que não tomarão medidas contra ela.
Outro testemunho é o do presidente do conselho de direção do “Al-Ahram”, Abdel Munein Sai, que afirmou que seu jornal não tem nenhuma regra que proíba receber entrevistados de certas nacionalidades ou orientações políticas.