Acompanhado de vários ministros e de uma delegação de empresários, Lula teve uma agenda cheia. Além de uma reunião com o colega Horst Köhler, o presidente teve um encontro com a chanceler alemã, Angela Merkel, que lembrou os 40 anos de cooperação entre os dois países e ressaltou o papel-chave do Brasil na política internacional.
“Esta é a primeira visita que o presidente Lula faz à Alemanha desde que sou chanceler. Mas nos encontramos em negociações internacionais e posso dizer que nos tornamos amigos”, disse Merkel à imprensa.
“Quero aproveitar e agradecer o presidente Lula por levar adiante muitos acordos internacionais e por suas contribuições no Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e as principais nações emergentes) ao combater à crise financeira”, acrescentou Merkel.
No encontro que tiveram, o chefe de Estado brasileiro e a chanceler alemã conversaram sobre uma possível cooperação da Alemanha ao Brasil na organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.
Outros temas abordados foram as crises internacionais atuais, como a provocada pelo programa nuclear iraniano, e a cúpula sobre a mudança climática, que começa na semana que vem, em Copenhague.
Merkel e Lula reiteraram seus compromissos com a comunidade internacional na defesa do clima e combinaram de fazer o possível para forçar um acordo com metas específicas e obrigatórias na reunião na Dinamarca.
“Acho que em Copenhague não sairá o acordo com o qual todos sonhamos, mas acredito que haverá progressos que darão à humanidade confiança de que nosso planeta poderá continuar sendo desfrutado por nossos bisnetos”, disse Lula.
“Estou convencida de que chegaremos a um acordo político, que deverá ser moldado nos meses seguintes em um texto jurídico, que talvez não seja o ideal, mas que terá de fixar metas obrigatórias para a redução de emissões, às quais todos os países vão ter que dar sua contribuição”, disse Merkel.
Em relação à Copa de 2014 e aos Jogos de 2016, os dois líderes falaram sobre as oportunidades que ambos os eventos representam no que diz respeito à modernização de infraestruturas.
Para a Alemanha, isso pode ser interessante tanto do ponto de vista dos investimentos. Já o Brasil pode ganhar conhecimento em segurança a partir da experiência que o país europeu teve no Mundial de 2006.
“Naturalmente, só daremos os conselhos que o Brasil pedir. Mas acho que temos muito com o que contribuir na questão da segurança, já que na Alemanha a cooperação entre a Polícia e os torcedores foi exemplar”, disse Merkel.
Lula, por sua vez, ao ser perguntado por um jornalista brasileiro sobre se temia problemas de segurança na Copa de 2014, respondeu que a única coisa de que tem medo é o Brasil chegar à final e perder, como em 1950.
“Nesse caso, não sei como você, que me fez essa pergunta agora, reagiria”, brincou Lula, que lembrou ainda que, recentemente, o Brasil sediou os Jogos Pan-americanos de maneira bem-sucedida.
Nessa hora, Merkel, em meio a gargalhadas dos jornalistas, disse que, em matéria “de perder”, a Alemanha também poderia ensinar algo ao Brasil, já que todos os alemães comemoraram o terceiro lugar que o país conquistou em 2006 como se tivesse sido uma vitória.
Após a reunião, Lula e chanceler foram a um almoço com a cúpula da Confederação da Indústria Alemã e empresários de outros setores.
Amanhã, Lula dará continuidade à sua visita participando de um seminário em Hamburgo organizado pela Associação Empresarial para a América Latina.
O presidente, acompanhado de autoridades como o ministro da Economia alemão, Rainer Brüderle, viajará de Berlim a Hamburgo em um trem-bala similar ao que deve ser construído entre o Rio de Janeiro e São Paulo.