A violência se generalizou nesta quinta-feira em Abidjan, onde os militares, que apóiam Laurent Gbagbo, mataram pelo menos 11 seguidores de Alassane Ouattara e iniciaram um ataque contra o hotel onde ele instalou sua sede, enquanto a União Africana (UA) tenta evitar uma guerra civil.
Testemunhas disseram à Agência Efe que os incidentes começaram no início da manhã e que pelo menos sete manifestantes morreram por disparos de militares e policiais no bairro de Abobo, três em Adjame e um em Kumasi.
Mais tarde, os militares iniciaram um ataque contra o Hotel Golf, em Abidjan, onde está a sede de Ouattara, reconhecido internacionalmente como presidente eleito da Costa do Marfim, e seu primeiro-ministro e líder das Forças Novas, Guillaume Soro.
Os militares atacaram com armas pesadas o hotel, protegido pelos ex-rebeldes das Forças Novas e pelos capacetes azuis da operação da ONU na Costa do Marfim (Onuci).
As ruas de Abidjan ficaram desertas. É possível ouvir disparos e ver enormes colunas de fumaça em várias regiões, enquanto a população teme o reatamento da guerra civil que dividiu o país entre 2002 e 2007.
Nos bairros da periferia de Abidjan, onde Ouattara tem um amplo apoio popular, grupos de jovens armaram barricadas e reivindicaram a saída da Presidência de Gbagbo, que pretende permanecer no cargo apesar da rejeição internacional.
Diversos manifestantes ficaram feridos por disparos, informaram à Efe fontes de hospitais de Abidjan que receberam vítimas de diferentes pontos da cidade.
As manifestações estavam convocadas para esta quinta e sexta-feira pela coalizão de oposição RHDP, a favor de Ouattara, para apoiar Soro em sua intenção de ocupar a sede da emissora “RTI” e o escritório do primeiro-ministro.
Nesta quinta-feira, o próprio Ouattara, em declarações aos meios de comunicação no Hotel Golf, pediu que os manifestantes continuassem com suas ações até obrigar Gbagbo a deixar a Presidência.
Desde quarta-feira, os militares protegem os edifícios oficiais e cortaram os acessos ao bairro de Plateau, em Abidjan, onde também fica o Palácio Presidencial, ocupado por Gbagbo, apesar do pedido internacional para que ele se retire após dez anos como presidente e admita a vitória eleitoral de Ouattara.
Após o segundo turno do pleito presidencial, em 28 de novembro, a Comissão Eleitoral Independente (CEI) declarou Ouattara como vencedor com 54% dos votos contra 46% de Gbagbo, resultado que foi ratificado pela Onuci.
Ainda nesta quinta-feira, uma delegação da UA e da Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao), liderada pelo presidente da Comissão da UA, Jean Ping, foi enviada a Abidjan para tentar mediar as relações entre Gbagbo e Ouattara.
Antes de partir para Abidjan, a delegação fará uma escala em Abuja (Nigéria) para se reunir com o chefe de Estado do país, Goodluck Jonathan, presidente rotativo da Cedeao, que, como os outros organismos internacionais, reconheceu a vitória de Ouattara e exigiu que Gbagbo deixe a Presidência.
O promotor-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, advertiu nesta quinta-feira que se a tensão na Costa do Marfim desembocar em violência, a corte processará os responsáveis.
Gbagbo, eleito presidente em 2000 para cinco anos e que prolongou seu mandato por mais cinco devido à guerra civil de 2002 a 2007, não aceitou sua derrota nas eleições presidenciais e pretende seguir por mais um mandato na Chefia do Estado.
Ouattara e Gbagbo se proclamaram presidentes eleitos e nomearam seus primeiros-ministros e gabinetes, o que gerou uma grande tensão na Costa do Marfim, cuja metade sul está sob o controle das Forças Armadas, enquanto o norte é controlado pela milícia Forças Novas.