A “cidade proibida” para a população feminina nos centros urbanos da América Latina começou a ser identificada pelas responsáveis de um projeto sobre a violência contra as mulheres e as políticas públicas na região, about it disseram nesta terça-feira, em Bogotá, fontes não-governamentais ligadas ao programa.
A arquiteta argentina Liliana Rainero, coordenadora da Rede Mulher e Habitat, criticou “um conceito restritivo do delito” na América Latina quando se fala de violência. Assim, nas políticas de segurança “não aparece a violência contra as mulheres”, denunciou.
A especialista observou que a mulher assumiu o trabalho remunerado e as atividades públicas, aumentando a sua liberdade e mobilidade pela cidade. No entanto, o medo a impede de transitar por certos lugares e obriga a abandonar algumas atividades, com espaços perigosos que formam uma “cidade proibida”.
Rosário (Argentina), Bogotá e Santiago do Chile centram a iniciativa, promovida pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (Aeci), e iniciado em 2006.
Um relatório sobre violência de genero em Bogotá destacou que, de janeiro a julho deste ano, foram mais de 400 agressões sexuais a mulheres em espaços públicos. Os meios de transporte públicos foram cenário de 29 casos.
A mulher é a vítima de mais de 80% dos delitos sexuais em Bogotá, e mais de 90% das vítimas têm menos de 25 anos de idade, segundo o mesmo estudo, que cita os registros do Instituto Nacional de Medicina Legal.