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Mundo

Vida de bebê de 1 ano está nas mãos de juiz britânico

Arquivo Geral

03/11/2009 0h00

Um juiz britânico terá que decidir em breve se a vida de um bebê de 1 ano, que sofre de uma doença genética irreversível, mas que está plenamente lúcido, deve ser mantida artificialmente.

O caso de “Baby RB” tem comovido o Reino Unido, após a divulgação da informação de que o bebê permanece conectado a um respirador artificial e internado em um hospital desde seu nascimento, por sofrer de uma rara doença neuromuscular, conhecida como síndrome miastênica congênita (SMC), e que sua vida depende agora de uma decisão judicial.

A SMC é uma doença que limita severamente a capacidade de respirar e de movimentar as extremidades, circunstâncias nas quais Baby RB vive desde que nasceu e que o obrigaram a permanecer conectado a um respirador artificial.

Os médicos que cuidam do bebê, apoiados pela mãe, defendem a possibilidade de deixar que tenha “uma morte digna e tranquila”, porque consideram que sua existência será “miserável e dolorosa”, inclusive se uma eventual operação cirúrgica permitir tirá-lo do respirador artificial e enviá-lo para a casa de algum de seus progenitores, que estão separados.

Por esta razão, pediram hoje ao juiz Justice McFarlane, na primeira das audiências realizadas no Alto Tribunal de Londres, que autorize sua desconexão das máquinas que o mantêm ainda com vida, “pelo próprio interesse” do bebê.

No entanto, seu pai defende que se ele seja submetido a uma traqueostomia antes que uma decisão tão definitiva seja tomada.

O juiz decidiu solicitar uma avaliação médica sobre a conveniência de se realizar a traqueostomia, que será divulgada na semana que vem.

Os advogados do pai afirmam que o cérebro da criança funciona perfeitamente, que o bebê pode ver, ouvir, sentir e reconhecer seus pais, e garantem que convencerão o juiz com um vídeo do bebê, para que o “desligamento” não seja permitido.

No entanto, o advogado da mãe, Anthony Fairweather, manifestou em comunicado que ela “esteve junto ao berço de seu filho no hospital desde o dia em que nasceu. A cada dia pôde ver a dor que a criança sofre somente para sobreviver”.

“Na hora de decidir seu apoio a este pedido dos médicos, escutou e consultou alguns dos melhores do mundo”, disse o advogado, que acrescentou que todos concordaram no diagnóstico que se o bebê for mantido com vida artificialmente, será acompanhado de uma grande dor.

“Em sua cabeça, o sofrimento intolerável que seu filho experimenta pesa mais que a dor pessoal que ela sentiria se o perdesse”, acrescentou o advogado da mãe.

Por se tratar de um caso em processo judicial as identidades dos pais e do bebê não foram divulgadas, mas aparentemente se trata de um casal muito jovem, de cerca de 20 anos, que se separou amistosamente.

A criança nasceu no dia 10 de outubro de 2008 com sérios problemas respiratórios, que obrigaram os médicos a conectá-la imediatamente a um respirador artificial para que seguisse com vida.

Desde então, e uma vez diagnosticado a síndrome genética, a criança perdeu praticamente todo o tono muscular e é incapaz de movimentar os braços e as pernas, um problema que “não tem probabilidade de melhorar”, segundo um porta-voz dos médicos.

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