O vice-presidente paraguaio, Federico Franco, cujo país tem nas mãos a decisão sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, disse que a adesão plena desse país marcaria a “morte” do bloco, integrado também por Brasil, Argentina e Uruguai.
O segundo do Executivo paraguaio, que não esconde as desavenças com o presidente Fernando Lugo, expressou-se nesses termos em declarações reproduzidas hoje pelo jornal “ABC Color”.
A decisão da adesão da Venezuela ao bloco sul-americano ficou nas mãos do Paraguai depois que o Congresso brasileiro aprovou o pedido no último dia 15, em virtude do protocolo de adesão definido pelos Governos dos quatro países em 2006.
A Argentina e o Uruguai já tinham dado previamente seu sinal verde.
“Parece irônico, mas a saúde do Mercosul depende do Senado paraguaio. O menor do Mercosul é o responsável de salvar o bloco ou de, eventualmente, assinar a certidão de morte”, disse Franco.
“(O presidente venezuelano) Hugo Chávez, que sempre acusa de imperialismo outro Governo, tem uma atitude absolutamente imperialista com meu país. O chefe dos imperialistas é Chávez”, disse.
No mesmo sentido, o presidente do Senado e do Congresso, Miguel Carrizosa, do minoritário Partido Pátria Querida (PPQ), disse na terça-feira que o Legislativo paraguaio não aprovará a entrada da Venezuela enquanto Chávez promover “posturas autoritárias e extremistas”.
Enquanto isso, o chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, que tinha anunciado que, em março de 2010, poderiam voltar a colocar ao Congresso o pedido de entrada da Venezuela no bloco, reiterou ontem que o Mercosul se fortalecerá com o país caribenho.
“O formato do Mercosul atualmente, de quatro países, com uma hegemonia muito forte de um deles, que é o Brasil, não beneficia os países pequenos”, afirmou Lacognata, com o que sugeriu que a presença da Venezuela equilibraria essa situação.