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Mundo

Via Campesina pede envio de tratores e não tanques ao Haiti

Arquivo Geral

25/01/2010 0h00

 


O ativista agrário João Pedro Stédile pediu hoje a partir do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, que a comunidade internacional envie tratores e sementes ao Haiti para auxiliar às vítimas do terremoto, no lugar de “tanques e soldados”.


Stédile, dirigente de Via Campesina, explicou que este movimento, formado pelos pequenos agricultores de uma centena de países, começou a articular sua própria rede de ajuda por meio do Governo da Venezuela, e que buscará também a colaboração do Brasil e de Cuba.


Segundo Stédile, o Haiti sofreu um “terremoto incontrolável, obra da natureza”, mas “já sofria um terremoto cotidiano, provocado pela inexistência de um Estado, com um povo ocupado militarmente e humilhado pelo neoliberalismo”.


Na opinião dele, essa situação agravou-se depois do terremoto, com o aumento das tropas estrangeiras, principalmente dos Estados Unidos.


“Haiti não precisa de mais soldados, mas sim de técnicos, professores e pessoas que ajudem o povo a recuperar a dignidade. Não é preciso enviar mais tanques, mas sim tratores”, apontou.


Como lembrou o ativista, a Via Campesina tem algumas brigadas operando no Haiti há anos no interior do país e que essa estrutura, junto de movimentos de agricultores haitianos, pode ser utilizada para começar a recuperar o país.


“É necessário pensar que mais de 500 mil pessoas serão transferidas de Porto Príncipe para o interior, portanto é preciso preparar o terreno para recebê-las”, indicou.


Para Stédile, isso significa investimentos em água para irrigar as plantações, sementes, máquinas e ferramentas agrícolas e gás.


Com o objetivo de ajudar nessa tarefa, a Via Campesina articula com a Venezuela o gás e pedirá ao Brasil que colabore com 50 mil cisternas, que são produzidas no país com material plástico e podem armazenar até 8 mil litros.


Nos próximos dias, Stédile pretende se reunir nos com autoridades do Governo do Brasil para solicitar doações de sementes de arroz e feijão, que uma vez semeadas podem estar prontas para serem colhidas em questão de um ou dois meses.


O ativista também vai pedir máquinas e ferramentas agrícolas para iniciar o plantio de alimentos no Haiti, onde existem 250 mil famílias de pequenos camponeses, detalhou.


O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), do qual Stédile também faz parte, levará sementes de hortaliças e vai colaborar na distribuição dessa ajuda com os grupos camponeses haitianos, indicou.


Jovens camponeses haitianos serão convidados a vir ao Brasil para aprenderem técnicas agrícolas com o MST.


“Se nos ajudarem a trazer 1 mil jovens haitianos, em um ano ou menos, eles terão condições de retornar ao país com maiores conhecimentos sobre técnicas agrícolas”, sustentou.

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