O Vaticano reagiu hoje com cautela ao anúncio feito nos Estados Unidos sobre a produção de uma célula artificial, e o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, disse ser “necessário saber mais” do tema para falar.
“É necessário esperar para saber mais do caso”, se limitou a afirmar à imprensa Lombardi.
Da mesma forma, o presidente emérito da Academia Pontifícia para as Ciências, o bispo Elio Sgreccia, usou também hoje a palavra “cautela” para comentar o assunto.
O diário vaticano, “L’Osservatore Romano”, em artigo do neonatólogo Carlo Bellieni, assegura que o assunto se trata de um trabalho de engenharia genética “de alto nível, mais um passo na substituição de parte do DNA”.
“Mas, na realidade, não se criou vida”, indicou o especialista. Segundo ele, foi possível “um resultado interessante, que pode encontrar aplicações e que deve ser regulamentado, como todas as coisas que abordam o coração da vida”.
Para Bellieni, a engenharia genética pode fazer coisas boas, mas deve unir o valor com a cautela.
Ele acrescentou que é possível reconstruir o DNA “e, ao mesmo tempo, deve-se considerar que este é somente um dos motores da vida”.
O especialista ressaltou que o peso do DNA é grande e que há grandes esperanças nas ciências genéticas. “No entanto, o DNA, apesar de um ótimo motor, não é a vida”.
Segundo o chefe dos bispos italianos, o cardeal Angelo Bagnasco, a criação dessa célula artificial representa um novo “sinal” da grande inteligência do homem.
Bagnasco afirmou que a inteligência e a responsabilidade seguem juntas. Qualquer forma de inteligência deve ser medida levando em conta a dimensão ética e a dignidade das pessoas, acrescentou.
O bispo Elio Sgreccia destacou que não estamos diante da criação de uma célula artificial, mas da manipulação do genoma.
A equipe de genetistas americanos anunciou ontem a produção, pela primeira vez, sobre uma célula controlada por DNA elaborada pelo ser humano, um passo que deixa a ciência mais próxima de criar vida artificial.