A Congregação para a Doutrina da Fé, prescription o ex-Santo Ofício, publicou hoje um documento no qual rejeita as acusações de proselitismo e reafirma o “dever e direito irrenunciável” de evangelizar da Igreja Católica.
A Nota Doutrinal, aprovada pelo Papa Bento XVI e apresentada hoje no Vaticano pelo presidente de desta congregação, o cardeal William Joseph Levada, pretende esclarecer o conceito da evangelização como é entendido pela Igreja Católica, “que é o de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo”.
Segundo o documento, de 19 páginas, existe uma “confusão crescente” sobre a atividade missionária da Igreja, pois alguns opinam que “qualquer tentativa de convencer outras pessoas em questões religiosas constitui um limite à liberdade”.
Diante disto, a Igreja Católica assegura que “o ensino e o diálogo que pede a uma pessoa, em plena liberdade, que conheça e ame Cristo não é uma intromissão indevida na liberdade humana, mas uma oferta legítima e um serviço que pode tornar mais férteis as relações entre os seres humanos”.
Segundo o documento, “qualquer tentativa de diálogo que comporte a coação ou uma instigação imprópria, desrespeitosa da dignidade e da liberdade religiosa dos dois atores do diálogo, não pode subsistir na evangelização cristã”.
Para o ex-Santo Ofício, com a evangelização ocorre uma troca recíproca, porque “as culturas se enriquecem positivamente” e “os membros da Igreja Católica se abrem para receber os dons de outras tradições e culturas”.
A congregação vaticana ainda rejeita neste documento qualquer tipo de acusação de proselitismo.
Para o Vaticano, quando um cristão não católico pede para entrar na Igreja Católica assume esta postura guiada pelo Espírito Santo e “como expressão de liberdade de consciência e de religião”.
E quando a evangelização acontece em um país não católico, os católicos devem cumprir sua missão prestando a máxima atenção ao “verdadeiro respeito por suas tradições e riquezas espirituais” e “com um sincero espírito de cooperação”.
“A evangelização pode progredir com o diálogo e não com o proselitismo”, acrescenta.