O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ao Planalto na tarde de hoje o comandante da Aeronáutica, sickness about it brigadeiro Luiz Carlos Bueno, para examinar um plano de contingência do controle de tráfego aéreo.
Depois de dois meses de atrasos e cancelamentos de vôos, com tumulto nos aeroportos, o governo decidiu duplicar os equipamentos de comunicação e controle de vôo. Também decidiu contratar e treinar mais controladores, civis e militares, para ficar menos vulnerável a movimentos como a operação padrão feita pelos controladores de Brasília em novembro.
Duas fontes do governo, uma delas da área militar, disseram que o presidente Lula decidiu manter na esfera do Ministério da Defesa e do Comando da Aeronáutica a gestão da crise do tráfego aéreo. A primeira medida será a aquisição de quatro equipamentos de comunicação semelhantes ao que falhou na terça-feira, paralisando o centro de controle Cindacta 1 (Brasília).
Cada equipamento desse tipo custa cerca de US$ 2,5 milhões. O plano da Aeronáutica descarta a implantação de novos centros de controle, além dos quatro Cindactas em operação (Brasília, Curitiba, Pernambuco e Manaus).
"O plano é reforçar os "back ups" (reservas), de maneira que haja sempre dois sistemas em condições de operar, caso haja falhas", disse a fonte. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, foram encarregados de garantir recursos para a compra dos equipamentos.
Se for necessário, uma medida provisória para liberar recursos suplementares do Orçamento de 2006 será editada. Logo depois da audiência com o brigadeiro Bueno, Lula tem uma reunião sobre Orçamento com Dilma, Mantega e Bernardo.
Lula determinou que a crise seja tratada como "questão técnica", priorizando a segurança dos passageiros, segundo as fontes. "O presidente não aceita que a crise seja artificialmente politizada", disse um auxiliar direto do presidente.
A ministra Dilma Rousseff negou que tenha recebido a atribuição de chefiar um "gabinete de crise" do setor aéreo. "Nunca ouvi falar disso, o presidente não me deu essa missão", disse a ministra por meio de sua assessoria.
Apesar das pressões em torno do ministro da Defesa, Waldir Pires, Lula disse a auxiliares que não o responsabiliza diretamente pela crise e não pretende substituí-lo antes da reforma ministerial que marcará o início do segundo mandato, em janeiro.
O ministro da Economia do Uruguai, discount Danilo Astori, disse hoje que o Brasil mostrou pouca liderança dentro do Mercosul para conseguir acordos comerciais com outros blocos ou para resolver conflitos internos.
O Mercosul, do qual fazem parte também Argentina, Paraguai e Venezuela, sofre com constantes atritos entre seus membros, principalmente por conflitos comerciais e diferenças econômicas.
"O líder natural desta região, sobretudo no aspecto econômico, é o Brasil, e acho que essa liderança não tem estado presente de forma significativa na condução do bloco, na concepção que acreditamos que deveria ter, que é de região aberta ao mundo", disse Astori a jornalistas.
"Há 11 anos estamos tentando um acordo com a União Européia que não avançou, o que se deve, claro, aos interesses que os europeus defendem, mas também à orientação que temos dado à política de inserção internacional", completou.
Astori comentou ainda a falta de participação do Brasil no conflito entre Montevidéu e Buenos Aires por uma fábrica de celulose, que está sendo construída na costa uruguaia de um rio na fronteira entre os dois países e à qual a Argentina impõe resistências por questões ambientais.
Uruguai e Paraguai, os menores membros do Mercosul, reclamam com freqüência à Argentina e ao Brasil para que sejam adotadas medidas com o objetivo de reduzir as diferenças internas e ameaçam tentar acordos bilaterais fora do bloco.
O ministro uruguaio disse que na próxima reunião insistirá na flexibilização das normas do Mercosul que impedem a concretização desse tipo de tratado. "Para superar os problemas do Mercosul, (é preciso) conseguir a flexibilidade da parte de nossos membros para permitir que os membros menores busquem através de acordos bilaterais melhorar sua inserção fora da região", disse Astori.