O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, disse hoje que o presidente Álvaro Uribe não aceitou sua renúncia diante da recente decisão da procuradoria de reabrir um processo por suas supostas ligações com grupos paramilitares.
Uribe “não só não aceitou mas afirmou que vai lutar contra aqueles que estão interessados em prejudicar o Governo e a mim”, afirmou Santos em entrevista que publica hoje o jornal “El Tiempo”, controlado até pouco tempo pela família do vice-presidente, investigado por conexões com a dissolvida organização paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).
O vice-presidente, no cargo desde 2002, é investigado por testemunhos de alguns ex-paramilitares, entre eles Salvatore Mancuso, antigo chefe máximo das AUC e extraditado aos Estados Unidos em maio de 2008.
Mancuso assegurou que Santos se reuniu com eles no passado e lhes propôs que estabelecessem um bloco paramilitar em Bogotá.
Santos admitiu na entrevista que, quando exercia como chefe de redação do Tempo, se reuniu em duas ocasiões com Carlos Castaño, líder das AUC desaparecido, e em uma com Mancuso, a quem convidou ao clube do jornal em Bogotá, que o antigo ultradireitista visitou em 1996 para uma conversa sobre o fenômeno paramilitar.
“Trata-se de um complô dos paramilitares para sujar ao Governo”, insistiu o vice-presidente, que informou que falou do assunto com Uribe.
“Inclusive lhe disse que se considerava que eu fosse um problema para ele e seu Governo, renunciaria”, acrescentou Santos.
Acrescentou que segue disposto a deixar o cargo caso que seja necessário, para proteger seu nome, sua honra e seu trabalho.
“Não tenho dúvidas de que o objetivo de me vincular aos paramilitares era levar a minha renúncia e criar uma crise política”, disse Santos.
“Mas não vamos dar a eles esse prazer”, afirmou, lamentando que a procuradoria “dê credibilidade aos testemunhos destes bandidos”.