O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse hoje que a explosão de duas pontes na fronteira com a Venezuela por militares deste país é “muito grave”, mas insistiu em manter o tom conciliador em relação ao país vizinho ao afirmar que seu Governo “não produzirá gestos de guerra”.
“Nossa determinação é a derrota do terrorismo, nunca a guerra aos povos irmãos”, ressaltou Uribe em uma entrevista à rádio colombiana “RCN”.
“Nada de provocações verbais, é preciso recorrer aos organismos internacionais”, disse o presidente.
Uribe enfatizou que a Colômbia não tem nada “contra a comunidade internacional e muito menos contra a Venezuela”.
As denúncias de que militares venezuelanos destruíram pelo menos duas pontes na fronteira com a Colômbia se somaram ontem a uma série de episódios que contribuíram para deteriorar as relações entre Bogotá e Caracas nas últimas semanas.
Segundo denúncias de habitantes e autoridades do departamento (estado) colombiano de Norte de Santander, soldados venezuelanos explodiram duas pontes para pedestres sobre o rio Táchira, que faz a fronteira entre os dois países.
O vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizalez, confirmou a explosão das pontes, mas as considerou como ilegais e disse que servem “para os traficantes de drogas”.
Além disso, Carrizales acusou o país vizinho de “manipular a realidade”.
O Governo colombiano considerou a ação como uma “violação à lei internacional” e “uma agressão contra os civis”. Por isso anunciou que denunciará a Venezuela no Conselho de Segurança da ONU e na Organização dos Estados Americanos (OEA).
O ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, alertou hoje em declarações à “Caracol Radio” que o Governo não permitirá agressões contra a população civil nem contra seu território.
A situação de crise atual com a Venezuela “nos exige uma atitude extremamente serena, é preciso evitar uma provocação, mas temos um limite, naturalmente”, acrescentou.
Em meio à crise entre Bogotá e Caracas, incidentes ocorridos na fronteira comum nas últimas semanas deixaram mais de dez mortos.
Apesar de tudo, Uribe afirmou hoje que a Colômbia “não vai fechar a fronteira” e também não pensa em aplicar restrições ao comércio com a Venezuela.
“Para a Colômbia, o comércio internacional também é uma expressão de solidariedade. Nestes momentos de escassez, se nos resta um litro de leite, o compartilharemos com a Venezuela”, afirmou o governante.