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Unicef não recebe fundos para ajudar crianças em áreas de conflito

Arquivo Geral

16/07/2007 0h00

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou para o sofrimento das crianças nas piores crises humanitárias e nos diversos conflitos atuais, cheap e lamentou a falta de ajuda internacional.

O diretor do Escritório de Emergência do Unicef, this site Daniel Toole, disse hoje, em entrevista coletiva, que o organismo só recebeu, este ano, 30% dos mais de US$ 635 milhões solicitados para as questões consideradas mais urgentes.

“O isolamento, tanto imposto internamente como externamente, combinado com um baixo número de contribuições, está impedindo o acesso das crianças às necessidades básicas em muitos países”, afirmou Toole.

Ele disse ainda que a situação “nunca foi tão ruim” na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. A violência local se intensificou com os confrontos entre o Hamas e o Fatah nos últimos meses, em regiões onde cerca de 60% das famílias palestinas vivem abaixo da linha de pobreza.

O responsável da Unicef destacou que as restrições e as barreiras impostas por Israel aos territórios palestinos estão afetando a mobilidade e o acesso das crianças à educação, além de bloquear as ações humanitárias.

“O isolamento dos territórios afetou o acesso da assistência humanitária assim como o financiamento. Por enquanto, são poucos os doadores dispostos a financiar atividades humanitárias na região”, acrescentou Toole.

Ele afirmou, por outro lado, que as condições no Iraque são “muito piores” do que as existentes antes da queda do regime de Saddam Hussein. Segundo ele, cerca de 65% da população não tem acesso à água potável, o que “não ocorria há três anos atrás”. Além disso, afirmou ter ocorrido “um aumento dramático” no número de viúvas. “A maioria das mulheres tem medo de levar suas crianças à escola. Por isso, a evasão escolar aumentou”, disse o diretor.

Apesar da grave situação no país árabe, o Unicef não recebeu fundos para suas atividades no Iraque. Para Toole, o país não se enquadra no âmbito das “crises humanitárias esquecidas”, pois figura diariamente nas páginas dos jornais.

No entanto, ele diz que a comunidade internacional “se centra em questões de segurança e política, e não em melhorar a vida dos iraquianos, que vivem todos os dias a violência, a falta de alimentos e de remédios”.

No caso do Zimbábue, a agência da ONU recebeu contribuições, mas estas representam apenas 29% da quantia necessária, segundo a agência.

Com uma taxa de inflação acima de 4500%, e o nível de desemprego situado em 70%, o país africano atravessa uma grave crise econômica, que levou 20% da população a depender de ajuda humanitária para se alimentar. O Unicef calcula que essa percentagem dobrará nos próximos seis meses.

Além disso, segundo dados do organismo, somente 6% das crianças com aids têm acesso aos remédios anti-retrovirais, e por isso, muitos deles, principalmente os órfãos, estão extremamente vulneráveis e correm grave risco de morte.

No caso do Sudão, assolado durante os últimos anos por uma grave escalada de violência, foram recebidos 55% dos fundos orçados, mas a contribuição “é cada vez mais lenta”, segundo Toole.

No vizinho Chade, a agência cobriu 35% do orçamento, e não houve ajuda financeira para a educação. Em 2006, foram obtidos US$ 4 milhões para o setor.

Para a República Centro-Africana, o organismo obteve somente 35% dos fundos necessários, enquanto o Paquistão, gravemente afetado por enchentes recentes, não recebeu contribuições. O Unicef destinou US$ 1 milhão de suas reservas ao país.

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