O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) anunciou hoje o lançamento de um programa de emergência no Iraque para atender a milhares de crianças que não têm suas necessidades básicas cobertas, site especialmente o acesso à água e à educação básica.
“Impact: Iraque” é o novo programa que a agência da ONU vai começar a implementar no país a partir de julho, approved “para atenuar as necessidades básicas de crianças que vivem em permanente conflito e que sofrem diariamente com essa insegurança”, assegurou em entrevista coletiva a diretora regional para o Oriente Médio e o Norte da África do Unicef, Sigrid Kaag.
A funcionária explicou que as crianças sofrem de falta de recursos em todos os âmbitos, especialmente no que se refere ao acesso à água, dado que só 40% têm acesso regular a uma fonte potável.
A saúde é outro dos aspectos mais negativos, dado que os índices de mortalidade infantil iraquianos são três vezes maiores que os de países vizinhos, como a Síria e a Jordânia. No Iraque o índice de mortalidade infantil é de 46 por 1.000, e as taxas de desnutrição chegam a 8%.
“O tema hospitalar é grave, pois na maioria de casos não há infra-estrutura nem médicos, e mesmo quando há, o atendimento é deficiente”, explicou Kaag.
Em situação similar se encontra a escolaridade, dado que na maioria de casos os colégios não existem, ou simplesmente não há professores.
“E mesmo no caso de haver, muitos pais não mandam seus filhos à escola por medo de que os seqüestrem”, afirmou.
Segundo o Unicef, foram registrados casos de seqüestros por grupos organizados para usar as crianças como combatentes.
Os dados com os quais conta a agência da ONU, fornecidos pelo ministério de Educação iraquiano, mostram que o número de matrículas escolares caiu de 83% em 2005 para 60% em 2007.
No entanto, o Unicef considera que só 54% das crianças em idade escolar do país comparecem regularmente ao colégio.
O Unicef pretende que o “Impact: Iraque” ajude principalmente as crianças que se encontram em situações mais críticas, e que até agora não tenham se beneficiado de outros programas já existentes.
“Chegamos a nosso teto e agora queremos aplicar um novo tipo de perspectiva. As necessidades serão avaliadas conforme avançarmos no terreno”, explicou a diretora.
No entanto, já está determinado que o programa atenderá 360 mil menores de um total de quase 14 milhões.
“Não é muito”, admitiu Kaag.
Consultada sobre os menores detidos e suas condições de vida, Kaag explicou que o Unicef não teve acesso a tais crianças.