A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou nesta quinta-feira em Paris o Ano Internacional dos Idiomas, com o sotaque no multilingüismo e no combate ao risco de extinção que espreita mais da metade das 6.700 línguas faladas no Planeta.
É preciso tratar os idiomas “como se valessem ouro”, afirmou o presidente do Conselho Executivo da Unesco, Olabiyi Yaï.
Na abertura dos atos na sede da instituição em Paris, Yaï pediu que o multilingüismo seja reconhecido em sistemas educacionais, administrativos e jurídicos, nas manifestações culturais, na imprensa e no espaço cibernético.
“Seria possível que os Estados se desenvolvessem sem contar com seus idiomas?”, questionou de forma retórica o presidente do principal órgão executivo da Unesco.
O diretor-geral da organização, Koichiro Matsuura, ressaltou em uma nota que os Governos e organismos da sociedade civil devem multiplicar suas atividades para favorecer o “respeito, a promoção e a proteção” de todos os idiomas, em particular dos que estão em perigo.
Para a Unesco, os idiomas desempenham um papel essencial para alcançar alguns dos Objetivos do Milênio das Nações Unidas, como a erradicação da pobreza extrema e a fome, a conquista da educação primária universal e a luta contra as grandes pandemias, além de alcançar a sustentabilidade do meio ambiente.
Entre as ferramentas que a Unesco quer reforçar em defesa da diversidade lingüística e do uso dos idiomas maternos estão reuniões de especialistas sobre o papel das línguas nas políticas educativas, a difusão de instrumentos de promoção da educação bilíngüe e multilíngüe e o apoio às pesquisas e à tradução e interpretação.
Apenas poucas centenas de idiomas tiveram o privilégio de ser incorporados aos sistemas educacionais e ao domínio público e menos de cem foram usados no mundo digital, segundo dados da organização.
A Unesco defende uma educação multilíngüe, na qual os cidadãos possam aprender sua língua materna, uma língua regional e uma língua universal.
Aproveitando o Ano Internacional dos Idiomas, a Unesco quer dar novo impulso à luta para proteger os que estão ameaçados de extinção.
A organização está trabalhando nisso desde a década de 60, como lembrou Yaï, e nos últimos anos criou o programa B@bel que, entre outras iniciativas, elaborou um atlas das línguas do mundo em risco de extinção e uma biblioteca sonora em linha de gravações de línguas em perigo de desaparecimento.