A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) manifestou preocupação com os danos causados por ataques aéreos, mísseis e drones no Oriente Médio a quatro sítios de patrimônio mundial no Irã, de um total de 29 classificados no país. A preservação desses locais de valor excepcional é uma obrigação internacional estabelecida pela Convenção de Haia de 1954.
O Ministério iraniano do Patrimônio Cultural e do Turismo reportou danos em pelo menos 56 museus e sítios históricos em todo o território nacional. Entre os afetados, destaca-se o Palácio de Golestan, em Teerã, conhecido como o ‘Versalhes iraniano’, um monumento do século 16 que combina arquitetura tradicional persa e europeia. Imagens divulgadas pela agência de imprensa da República Islâmica mostram janelas quebradas, portas danificadas e fragmentos de vitrais espalhados no local, após ataques israelenses e americanos nas proximidades nos primeiros dias do conflito. Essas fotos foram amplamente compartilhadas por veículos internacionais, como Haaretz, Washington Post e Radio France.
Krista Pikkat, diretora de Cultura e Emergências da Unesco, relatou dificuldades em acessar imagens de satélite via Unosat para análise, baseando-se em relatórios de seu gabinete e de organismos da ONU. De acordo com ela, os estragos foram verificados no Palácio de Golestan, com danos significativos nos edifícios da área, e presume-se impactos internos por ondas de choque. O mesmo pode ocorrer em estruturas próximas ao Grande Bazar de Teerã.
A Unesco informou ter contatado as partes envolvidas — Irã, Israel e Estados Unidos — fornecendo as coordenadas geográficas desses sítios culturais para proteção. A organização também alertou para danos à Cidade Branca de Tel Aviv, em Israel, e ao sítio arqueológico de Tiro, no Líbano, em uma região que abriga 125 locais classificados como Patrimônio Mundial.